quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A infância, ontem e hoje.

Voltando ao tema do anacronismo - essa nossa nítida impressão que o mundo sempre foi como é hoje (já que sempre acabamos por transpor características de nosso tempo para tempos passados) - um tema que é bem pertinente (sendo mesmo um bom exemplo disso), é a infância.

Afinal de contas, dentre os vários quesitos que podemos analisar, no âmbito social, nada mudou mais que a infância, ou melhor, "o como tratamos a infância". Explicando melhor: até bem pouco tempo atrás (até o século XIX, se estendendo para, pelo menos, as duas primeiras décadas do século XX), ou seja, historicamente falando foi ontem, praticamente não existia a criança (ao menos como a conhecemos hoje), visto que todas elas - a partir dos seis ou sete anos, mais ou menos - já eram tratadas como 'pequenos adultos'. Um pouco depois disso já eram adultos e ponto. Isso ocorria devido a vários fatores, tais como:

  • Fatores culturais que nos levavam a crer que era assim que deveríamos tratá-las, afinal, desde cedo, deveríamos fazer delas homens ou mulheres, tendo sido isso agravado pela Revolução Industrial (que requeria braços, tivessem estes idade fosse);
  • Outro fator era o grande número de filhos que se tinha nos casamentos, fazendo com que, devido à grande natalidade, nem mesmo se chorava muito tempo a morte de uma criança (uma vez que, morrendo um, ainda se tinha mais 5 ou 6 filhos para criar), e já que era também grande a mortalidade, em especial a infantil;
  • Devido a isso as mulheres - que sempre diz-se amadurecer antes dos homens - tinham mesmo que ter esse amadurecimento rápido, uma vez que não ultrapassavam os dezesseis anos solteiras, sendo o mais comum o casamento aos quatorze ou quinze anos. Era de se estranhar uma menina de dezessete anos solteira. "Boa coisa é que ela não era", deviam comentar as matronas de plantão.

Realmente não era fácil ser criança. Querendo confirmar isso, pergunte a um avô ou uma avó como foi a infância deles. E multiplique um pouco pra saber como deve ter sido vivida a infância durante o século XIX (pra não irmos tão longe assim)...


domingo, 21 de julho de 2013

As coisas costumam mudar muito, de século para século, mesmo que não pareça...

A História nos mostra que - principalmente no 'quesito' sociedade - as coisas que são de uma determinada maneira em um século, pode deixar de sê-lo (totalmente ou em partes), no século seguinte, ou mesmo dali dois ou três séculos.

Algumas mudanças costumam ser tão drásticas que, na maioria das vezes, quem vive num determinado século age como se as coisas tivessem sido - desde sempre - daquela forma, como se nem mesmo tivesse havido um passado - ou, se este existiu, que ele sempre fora como hoje é o nosso presente ou muito próximo disso.

Podemos dar diversos exemplos do que dissemos aqui, como nesses que citamos abaixo:
  • Até o século XIII ou XIV era considerado herege a pessoa que fazia qualquer tipo de estudo de anatomia utilizando cadáveres. A partir do século XV - e, mais precisamente, do XVI em diante - foi dessa maneira que os então chamados 'homens da ciência' (os das 'ciências naturais', a Biologia de então), aprenderam muito sobre o corpo humano, tendo mesmo sido um dos primeiros cientistas a agir dessa forma, o próprio Leonardo da Vinci, já durante o Renascimento.
  • No século XVIII, dizer que um homem era 'ilustrado' era o mesmo que dizer que ele era um cientista, um filósofo, alguém que professava dos ideais iluministas, já no decorrer do século XX o mesmo termo é pejorativo, pois remete ao tipo de homem que não lê, que fica só nas figuras, sejam elas fotos ou ilustrações.
Esse "achar que características de nosso tempo ocorriam em outros tempos" é o que os historiadores chamam de anacronismo. 

  

sexta-feira, 19 de julho de 2013

quinta-feira, 18 de julho de 2013

HQ A Estagiária Isaura "Jogando Futebol"

Já que dizem que todo estagiário é, na verdade, uma espécie de escravo, conheçam essa estagiária que tem nome de escrava mas que está bem longe de ser isso...




terça-feira, 16 de julho de 2013

O 'politicamente correto' não está correto









                                                                                                                                                                                                                                      Considero o 'politicamente correto' uma das maiores formas de "caretices" - como se diria lááá na década de 1960 - que o mundo já inventou, podendo se dizer que essa tendência é mesmo uma espécie de controle social, uma vez que priva a todos de algo primordial: o riso.

Sendo o principal "patrulhado" dessa última, é o humor, em todas as suas formas, que sofre represálias a todo momento: não se pode mais contar uma piada de negro; de homossexual então, nem pensar... Existem pessoas pelo mundo que - como fazia a nobreza da Idade Moderna - querem processar chargistas e outros humoristas, por terem sido citados em peças de teatro, charges, gravuras, crônicas, shows de 'stand up comedy' e outras manifestações artísticas, por formas, trejeitos e maneiras que, para eles, parecera depreciativa.

Acho que tudo, no final das contas, acaba se resumindo a uma questão de bom senso - coisa que, infelizmente, está "em falta no mercado" - para não começarmos até a culpar demasiadamente até mesmo por um apelido bem-bolado que foi dado a alguém. E, se assim fosse, daqui algum tempo não poderíamos mais estudar sobre as obras de Aleijadinho, não escutaríamos mais Neguinho da Beija-Flor e nem mesmo poderíamos rever e vibrar novamente com alguns dos gols de Pelé, uma vez que, pela cartilha da maneira 'politicamente correta' de se ver o mundo, estaríamos falando de "Portadorzinho de Deficiência Física", também do "Afro-descendentezinho da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis" e Pelé... Bom, Pelé, quando muito, seria o "Edson" mesmo, uma vez que apelido é algo totalmente politicamente incorreto...

Ê mundinho chato!!!