sexta-feira, 4 de maio de 2018

Os 50 anos do "Maio de 1968", em Paris


Estamos exatamente no período em que se completa os 50 anos das manifestações do chamado "Maio de 68" - já que estas ocorreram durante os dias 2 e 10 de maio de 1968, em Paris, na França. Assim sendo, é intenção deste artigo explicar o movimento, suas reivindicações, suas vitórias e derrotas, o porque de sua grande importância histórica e, em última instância, as suas repercussões (à curto e á longo prazo).


Para tanto, comecemos pelo início. A sociedade francesa era, nesse final da década de 1960, extremamente rígida e repressora, duas coisas que os jovens desse momento histórico não estavam mais suportando com tanta facilidade - e isso, não somente na França, mas também, por todo o mundo. E estas atitudes começariam a ser contestadas em pouco tempo...

Agora, analisando mais precisamente a França deste momento, ela estava sendo governada por um herói francês da Segunda Guerra Mundial, o general Charles De Gaulle, que foi quem comandou a Resistência francesa aos alemães (que haviam tomado a França, em 1941). Porém, os jovens franceses não o consideravam como seu herói (mas, sim, um "herói de seus pais"), e, sendo assim, todos os que participavam do movimento que se iniciava não consideravam que este governante os estivessem representando.

Tudo se iniciou em 2 de maio de 1968, quando os estudantes universitários - num primeiro momento os da Universidade de Paris, em Nanterre (uma cidade próxima à capital francesa), depois se estendendo para os estudantes de outras universidades, como os da Sorbonne (de Paris) - todos sob o "comando" (se é que podemos considerar que um movimento desse tipo tinha, realmente, um comando) - de Daniel Cohn Bendit (que era, à época, um dos estudantes universitários que o tomaram como líder [Ele é o rapaz loiro do centro da foto abaixo]). Porém, as manifestações estudantis foram reprimidas com muita violência pela polícia - e contra-atacadas pelos estudantes com uma violência bem proporcional à que a gerou (arrancando as pedras de calçamento para atirá-las nos policiais, por exemplo) - coisa que, ao invés de coibi-las, teve um efeito contrário, já que começou a dar ao movimento estudantil o apoio de muitas outras categorias (tais como: os operários, os professores de suas faculdades, a federação dos sindicatos, os artistas e as classes menos abastadas da sociedade francesa).


Isso só deu mais força ao movimento, que começou a exigir a renúncia do presidente Charles De Gaulle e, nos dias que se seguiram, a violência da polícia e a gana dos jovens manifestantes em manter o movimento só fizeram aumentar. As ruas próximas ao centro de Paris foram ficando cada vez mais sem as suas pedras de calçamento - arrancadas aos montes a cada investida da polícia sobre os estudantes - e as cenas de batalhas campais pelas ruas só cresciam, culminando com as batalhas ocorridas na noite entre 10 e 11 de maio (que ficou conhecida como a "Noite das Barricadas").


Mesmo pressionado, De Gaulle não se convencia a ceder às exigências, renunciando. Ao invés disso, ele convocou novas eleições e, mesmo com o apoio de uma boa parte da população e de partidos - como o Partido Comunista da França - foram os aliados do presidente que ganharam essas eleições (o que deu um gosto amargo de derrota aos jovens que tanto lutaram e persistiram durante as batalhas daquele "Maio de 68"). Mas, no ano seguinte, após um plebiscito (cujo resultado foi a derrota de suas propostas), o presidente Charles De Gaulle, finalmente, renunciou. 


Porém, a importância dos movimentos do "Maio de 68" não pode ser contestada, uma vez que, passados 50 anos do ocorrido, ele ainda é estudado e analisado, e podemos sentir seus ecos até os nossos dias, de diversos modos diferentes. Dentre eles, um capítulo a parte é a forma curiosa e criativa com que os jovens contestaram e exigiram mudanças. Dentre elas estão os cartazes - afixados pelos muros de Paris - e as pichações - com suas palavras de ordem, muitas vezes com o uso de um grande tom sarcástico. Dentre eles, alguns se tornaram clássicos do movimento, tais como: "Sejamos realistas, exijamos o impossível!", "A imaginação no poder!!", "É proibido proibir!!!" (que virou uma música de Caetano Veloso), e, uma das mais clássicas, "A luta continua!!!"...



Num primeiro momento, o movimento de "Maio de 68" foi derrotado e sentiu-se traído. Porém, à curto prazo - ou seja, já no ano seguinte - acabou conseguindo que a maior de suas exigências fossem cumpridas (mesmo que não da forma como haviam, inicialmente, pensado, uma vez que o presidente veio a renunciar depois de sua derrota no plebiscito). E, pelo mundo, naquele mesmo ano de 1968, o "Maio de 68" parisiense foi influenciando muitos outros movimentos políticos de jovens, tais como: as manifestações contra a Guerra do Vietnam e os movimentos pelos Direito Civis dos negros, ambos nos Estados Unidos da América, bem como a chamada "Passeata dos Cem Mil", ocorrida no Brasil, durante a Ditadura Militar (coisa que acabou levando os militares a "endurecer" ainda mais o regime). 




Mas é à longo prazo que podemos entender porque nós ainda falamos sobre estes fatos - mesmo após 50 anos deles terem ocorrido. Afinal, além de um movimento de contestação política, estes jovens mostraram novas formas e alvos de contestação que, até os nossos dias, são usadas em muitas manifestações por todo o mundo. E, além disso, essas manifestações mostraram que os jovens estavam num caminho rumo a muitas mudanças comportamentais (que foram sendo vistas nestes últimos anos da década de 1960, mas, principalmente, durante a década de 1970). Estas ficaram conhecidas como as "revoluções comportamentais" (dentre elas podemos citar a chamada "revolução sexual")...


E, terminando, podemos ver, até mesmo destes anos 2010, os ecos desses jovens, que foram - há 50 anos atrás - petulantes o bastante para questionarem os "status quo" de sua sociedade, tendo ainda reverberações muito atuais (e, dentre elas, podemos citar - até mesmo - os chamados "black blocks"). Em muitas localidades e pontos de nossa atual sociedade, os gritos de ordem daquelas semanas de "Maio de 68" ainda estão longe de se calarem...


sexta-feira, 20 de abril de 2018

Uma análise da Moda - Parte 1: a história de nosso vestuário através dos tempos (da Pré-História ao Renascimento)


A Moda é algo recorrente em nossas vidas, e, sendo assim, ela sempre teve uma grande parcela de importância em nossas vidas (num primeiro momento, como forma de nos proteger do inóspito planeta em que vivemos). E, a medida que o tempo foi passando, essa sua importância só fez aumentar. O que antes era relacionado, simplesmente, ao conforto e à rotina da vida, passou a ser, mesmo que dentro de uma enorme simplicidade, cada vez mais, um traço cultural de nossa espécie.

E, assim sendo, falar sobre uma história da Moda não é assim tão simples, justamente devido à suas particularidades e singularidades. Mas, mesmo com essa inerente dificuldade, é o que tentaremos fazer nesse artigo. Portanto, venha conosco conhecer essa história ímpar...


Nos primórdios (Pré-História)

Na Pré-História, nos chamados "Tempos das Cavernas", o homem não tinha ainda nenhuma noção de Moda, e se vestir era mais uma questão de necessidade, afinal de contas, boa parte desse período foi vivido durante a última grande "Era do Gelo", e o homem - diferente dos vários outros animais que existiam na Terra - não tinha pelos ou penas para se proteger do frio intenso. Sendo assim, ele acabou se utilizando da pele de outros animais para se cobrir, vencendo, dessa forma, o frio daqueles tempos...



No Egito Antigo

Durante a Antiguidade o Homem foi desenvolvendo cada vez mais o seu conceito de Moda, transformando-o, cada vez mais, em algo mais próximo do conceito que hoje conhecemos. Lógico que ainda não era o nosso conceito, mas já se podia distinguir, por exemplo, as classes sociais das pessoas pelas vestimentas que usavam (algo que, até hoje, ainda acontece). Também foi durante a Antiguidade que apareceram os profissionais que começaram a trabalhar com a confecção de vestimentas para outras pessoas (ainda de forma rudimentar, mas já como algo, no mínimo - ao menos para os padrões da época - regulamentado). Isso se deveu, em grande parte, à sofisticação que a civilização do Egito Antigo foi adquirindo com o passar dos séculos (bem como ao grande período de tempo que esta civilização existiu, podendo, assim, ir aprimorando todo o processo). Houve também uma grande evolução no quesito dos acessórios, como os calçados e as indumentárias (como adornos para cabeças, peito, braços e pernas, algumas apresentadas com metais e pedras preciosas).


Na Grécia Antiga

Já durante o período da Grécia Antiga - como acabou por ocorrer em vários outros campos de conhecimento da humanidade - a Moda evoluiu, se especializou e se expandiu, uma vez que a Grécia Antiga - em especial, no seu período Clássico - acabou por ditar muito do que seria, no futuro, a nossa dita Civilização Ocidental. Foi lá que se aprofundou as noções de distinção social pela ótica das vestimentas que cada um usava. Também foi na Grécia Antiga que se começou a utilizar, mais comumente, os tecidos (sendo estes de origem vegetal, diminuindo-se o uso dos materiais de origem animal, como o couro e as peles). Isso, por si só, já pode ser considerado um tremendo avanço no campo da Moda (uma vez que serão, daí para adiante, os tecidos de origem vegetal que ditarão as "regras" da Moda). É de se citar que houve um grande avanço no campo de acessórios, desde os mais simples (como louros vegetais adornando as cabeças gregas), bem como também na confecção de jóias (para a cabeças e outras partes do corpo).



Na Roma Antiga

Com a última grande civilização da Antiguidade - a dos antigos romanos - todas as concepções de vestuário (e, num âmbito maior, a própria Moda), estava pronta para se consolidar como uma das ferramentas culturais dos seres humanos - fosse como forma de se diferenciar as diversas classes sociais que já iam se delineando no horizonte da humanidade (em especial, do mundo ocidental), fosse como um nicho de mercado para o comércio cada vez mais importante (como atividade profissional e também como disseminador de costumes, dentre eles, a própria Moda). Numa sociedade onde o "status quo" era tão importante e valorizado, não é de se estranhar que o vestuário foi uma das vitrines por onde o cidadão romano se afirmava e demonstrava a toda a sua pompa e circunstância, criando várias formas de ilustrar isso para a sociedade. Vai daí o fato de ter sido na Roma Antiga que ocorreu um grande salto em áreas como a ourivesaria - com a descoberta de muitas pedras preciosas em suas várias províncias. Afinal, praticamente todo o mundo conhecido era parte do Império Romano.



Durante a Idade Média

Com a derrocada do Império Romano - e com as Invasões Bárbaras - inicia-se um processo que, grosso modo, leva à um tipo de retração cultural - em grande parte devido à implantação do Feudalismo - que acaba por atingir várias áreas no decorrer do extenso período de tempo que compreende a Idade Média. Porém, quanto à Moda - como também com relação à maior parte da vida cotidiana medieval - esta retração atingiu a última camada da sociedade estamental, que era a sociedade da Idade Média: a dos Camponeses (em sua maioria, de servos). Já quanto às outras duas camadas (a 1.ª, do Clero, e à 2.ª, da Nobreza), a Moda continuou a sua evolução. Uma das grandes "criações" medievais foi a das calças (coisa que, praticamente, inexistia antes desse período). Os adornos - que antes diferenciavam somente as classes sociais ligadas ao poder secular - agora começam, também, à distinguir os membros do poder espiritual (ou seja, os membros mais altos do poder da Igreja Católica Apostólica Romana), poder este que é extremamente abrangente e - até mesmo tentacular - durante toda a Idade Média (em especial, na chamada "Alta Idade Média").  



No Renascimento

Durante os séculos XV e XVI - com o movimento cultural do Renascimento - temos um aprimoramento sem igual, nas Artes em geral (bem como, também, no âmbito da Moda). Isso se deveu ao maior profissionalismo que algumas áreas vão atingindo - dentre elas, esta sobre a qual nos debruçamos neste artigo - já que as evoluções ocorriam em muitos setores das vidas das cidades (que, após a Idade Média, voltam a importância que tiveram na Antiguidade novamente). Tudo era feito ou refeito de forma a se aperfeiçoar a maneira de se fazer determinados procedimentos, levando a Humanidade a um novo patamar de tecnologia (fossem elas nas Artes, nos armamentos bélicos, nas construções, ou mesmo, na Moda).




-.- X -.-

Espero que tenham gostado deste artigo, e aproveito para informar que teremos, mais adiante, um novo artigo sobre este tema - a "Parte 2" (e final) - onde iremos analisar esta mesma história da Moda (porém, vislumbrando o que ocorreu durante os séculos XIX, XX e neste princípio do XXI. É só aguardarem para ler... Até lá!!

sexta-feira, 6 de abril de 2018

O Capitão América e a sua "luta real" durante a Segunda Guerra Mundial


Voltando ao assunto de personagens dos quadrinhos ou desenhos animados que acabaram ajudando em questões da História, vamos falar hoje sobre o caso emblemático do Capitão AméricaAfinal ele é um dos personagens da Marvel Comics mais conhecidos, é um dos mais antigos de todo o chamado "Universo Marvel" e é - pasmem - um dos únicos que não tem o dedo de Stan Lee em sua criação (já que foi criado por Joe Simon, roteiro, e Jack Kirby, desenho - [Respectivamente, os dois distintos senhores apresentados nas fotos que seguem abaixo.] - sendo ambos norte-americanos, isso em 1941, e para a Editora Timely Comics, uma antecessora da Marvel Comics). 




















Ele foi criado e pensado como parte integrante de uma espécie de "campanha" que visava tirar o povo norte-americano de sua atitude anti-guerra - na verdade, de total aversão à entrada dos Estados Unidos da América nos conflitos da Segunda Guerra Mundial - que imperava em todos níveis da sociedade. O personagem não foi - logicamente - o principal motivo da mudança de atitude dos norte-americanos, mas não podemos negar que a arte da capa da primeira revista em quadrinhos do personagem - a "Capitão América Comics n.º 1", de março de 1941 - com o super herói socando a cara de Adolf Hitler, pode, sim, ter ajudado um pouco na mudança de postura. 


É certo que o que realmente levou os E.U.A. à guerra foi o ataque do exército japonês à base norte-americana de Pearl Harbor, no Havaí, em dezembro de 1941 (tirando-os, assim, de sua indiferença anti-guerra). Porém, o que é bastante emblemático é que o lançamento do personagem - e de sua revista - antecede o ataque - e a posterior entrada na Segunda Guerra Mundial - em 9 meses (o que pode ser considerado, no mínimo, inusitado). 

[Abaixo: uma das fotos do ataque à Pearl Harbor.] 


Durante a Segunda Guerra Mundial, era comum - numa atitude que visava elevar o moral das tropas - a distribuição de revistas em quadrinhos do Capitão América aos soldados das tropas norte-americanas em combate na Europa.

[Abaixo: capas de revistas em quadrinhos do Capitão América distribuídas para as tropas norte-americanas que lutavam contra o Nazismo na Europa.]



Já em meados da década de 1960, Jack Kirby e Stan Lee dão uma boa repaginada no super herói, deixando-o com as características que o marcam desde então...

[À título de curiosidade: comparem a arte de Jack Kirby logo abaixo, da década de 1960, com a foto promocional do primeiro filme de Capitão América, que aparecerá mais adiante, e veja a grande semelhança das cenas.]


Outra coisa que é bom que se diga é que, mesmo que - como dito no início desse artigo - não se tem a participação de Stan Lee na criação e no início da "carreira" do personagem Capitão América, foi devido a ele que o personagem se tornou tão longevo. Afinal de contas, foi a dupla Jack KirbyStan Lee [Os dois, respectivamente, à época, seguem as fotos abaixo.] - que o personagem criou uma "sobrevida" de sucesso à partir de fins da década de 1960.


E, foi também sob a "batuta" de Stan Lee que, durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, que a Marvel Comics foi criando sua aura de grande editora de quadrinhos de super heróis - duelando "pau a pau" com sua eterna rival, a DC Comics, que é, inclusive, mais antiga e dona de super heróis clássicos (como Superman e Batman) - levando a briga (à partir do final da década de 1990), para o campo do cinema.


[Esta é a foto a se comparar com a arte de Jack Kirby mostrada mais acima.]

Inclusive, no primeiro filme do personagem - "Capitão América, o Primeiro Vingador", de 2011 - há um misto de história do personagem e de História, mesmo (no caso, da própria Segunda Guerra Mundial), que é bem interessante, bem como bastante ilustrativa do personagem (e de seu auxílio às forças norte-americanas no conflito).


Isso nos mostra, mais uma vez, como as HQ's podem ser utilizadas para se "vender" ideologias de uma forma muito mais convincentes que se fossem usadas outras maneiras - digamos - mais convencionais. É ver pra crer...

quinta-feira, 22 de março de 2018

Walt Disney e sua participação em duas políticas do governo norte-americano, durante a Segunda Guerra Mundial e a Guerra Fria


Vamos analisar, neste artigo, momentos em que o cartunista e empresário Walt Disney - através de sua equipe de criadores e da própria estrutura de sua empresa, a Walt Disney Produções - auxiliou o governo dos Estados Unidos da América em sua política de auxílio, durante Segunda Guerra Mundial, e em sua política anti-comunista, durante a Guerra Fria (que se iniciou num momento anterior, ou seja, ainda durante a Segunda Guerra Mundial). Para tanto, iniciaremos com um breve histórico de como foi a política exterior norte-americana (do século XIX e do início do século XX) - primeiramente as políticas dos presidentes James Monroe e Theodore Roosevelt - para depois analisarmos as mudanças trazidas pelo presidente Franklin Delano Roosevelt (já em meados do século passado).


Política exterior dos Estados Unidos no século XIX e início do século XX






















Primeiramente vamos analisar a política exterior de dois dos presidentes norte-americanos - James Monroe, do século XIX, e Theodore Roosevelt, do início do século XX - mostrando que esse quesito de poder mudou muito durante os quase duzentos e cinquenta anos da democracia norte-americana.

Vamos começar com James Monroe, que é o 5.º presidente dos Estados Unidos da América e governou de 1817 a 1825 [quadro acima, à esquerda]. Ele é o responsável pela política conhecida como "Doutrina Monroe", que pregava "A América para os americanos" (a máxima da política de isolacionismo norte-americano, onde os E.U.A. não queriam a intromissão de países europeus na política dos países das Américas, em especial a deles próprios).

Já com Theodore Roosevelt - que é o 26.º presidente dos Estados Unidos da América e governou de 1901 a 1909 [foto acima, à direita] - a política exterior norte-americana teve uma leve mudança (já que, em certo ponto, esta última foi um novo capítulo do mesmo tipo de ideologia da "Doutrina Monroe"). E o nome dessa mudança é a chamada política do "Big Stick" (numa tradução livre, "grande porrete"), sendo ela uma ideologia de não influência - política, econômica ou militar - de outros países (principalmente dos europeus), em países das Américas (a não ser que este país fosse o próprio E.U.A., lógico). Para este Roosevelt, os grandes países teriam uma "carta branca" para se envolver na vida dos países mais pobres (e menos civilizados, como pregava a vigente cartilha do Imperialismo).


Política exterior dos Estados Unidos na primeira metade do século XX



Durante parte da primeira metade do século XX, Franklin Delano Roosevelt - que é o 32.º presidente dos Estados Unidos da América e governou de 1933 a 1945 [foto acima] (e que era primo em quinto grau do primeiro Roosevelt da política dos E.U.A., apresentado mais acima neste mesmo artigo) - a política exterior norte-americana deu uma grande guinada com a sua chamada "Política da Boa Vizinhança" ("Good Neighbor Policy", no seu nome em inglês). Ela consistia de uma aproximação mais amigável dos E.U.A. para com os outros países das Américas, visando - nas entrelinhas - a colocação em prática do "New Deal" (política econômica para sanar os problemas da Grande Depressão dos Anos 1930, advinda da Queda da Bolsa de Nova York de 1929), e que foi estendida com a intervenção norte-americana - auxiliando na tomada de poder de diversas ditaduras militares, em diversos países das Américas - quando foi se iniciando, mais fortemente, a própria Guerra Fria (um pouco após o término da Segunda Guerra Mundial). E foi com este presidente Roosevelt - e sua "Política da Boa Vizinhança", bem como com a própria ocorrência da Guerra Fria - que apareceu a figura de Walt Disney para auxiliá-lo nisso tudo. Como isso aconteceu? É o que veremos à seguir...


E Walt Disney começa a ajudar o governo dos Estados Unidos da América

O cartunista e empresário Walt Disney participou de dois "projetos" do governo dos Estados Unidos da América: um do presidente Franklin Delano Roosevelt (durante a Segunda Guerra Mundial), e outro, já com o presidente Dwight D. Eisenhower, que governou de 1953 a 1961 (e que sucedeu Harry S. Truman, que governou entre 1945 a 1953, e foi o sucessor do próprio Franklin D. Roosevelt).

1.º) Os filmes "Alô Amigos" (de 1942) e "Você já foi à Bahia?" (de 1944): 


  
Durante o governo de Franklin Delano Roosevelt (e sua "Política da Boa Vizinhança"), os estúdios de Walt Disney ajudaram a vender essa ideologia  dos norte-americanos. Isso foi feito produzindo os longa metragens de animação "Alô Amigos" (de 1942), e "Você já foi à Bahia?" (de 1944), que apresentavam o personagem Pato Donald como um turista norte-americano que conhecia amigos em países da América Latina - como o México (representado pelo galo Panchito), e o Brasil (representado pelo papagaio Zé Carioca) - e sempre se maravilhava com as culturas latinas que encontrava pela frente. Pode-se dizer que as animações conseguiram seu objetivo, pelo menos em relação ao Brasil, já que deve ter ajudado um pouco o governo brasileiro do presidente Getúlio Vargas à se decidir a entrar na Segunda Guerra Mundial ao lados dos Aliados (como queria "Política da Boa Vizinhança" de Roosevelt).

2.º) A série de TV "O Homem no Espaço" (de 1955), criada por Walt Disney e apresentada por Wernher von Braun:






















Durante o governo de Dwight D. Eisenhower - que governou de 1953 a 1961 - iniciou-se a corrida espacial (como parte integrante da Guerra Fria). Sendo assim, os estúdios de Walt Disney produziram, em 1955, uma série de TV com o nome de "O Homem no Espaço". e era apresentada por ninguém menos que Wernher von Braun - que foi o cientista que criou os foguetes V-2 nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial - tendo sido "recrutado" pelos norte-americanos para ser um dos cientistas do programa espacial da NASA (sendo um dos maiores responsáveis pelo sucesso de programas como o Mercury e o Apollo).


-.- X -.-

Inusitado essa forma de utilização de desenhos animados e produção pra a TV dos estúdios de Walt Disney como forma de disciminação de ideologias políticas? Nem tanto quanto podemos imaginar. Tanto que voltaremos a este tema num futuro artigo...

quinta-feira, 15 de março de 2018

500 anos de História em 15 obras de arte (1500 - 2000)

Vamos fazer uma viagem por 500 anos de nossa História através de 15 obras da arte ocidental? Bom, é este o intuito desse artigo, que mistura a História com a história da Arte de uma forma, no mínimo, diferente. 

Vamos, portanto, às obras de arte e aos fatos históricos que estas remetem!! Então, embarque nessa...


SÉCULO XVI

1.ª) Monalisa (ou Gioconda) - 1503 - de Leonardo da Vinci


É a obra prima maior do Renascimento italiano durante o século XVI e foi obra do grande Leonardo da Vinci, um gênio italiano desse período, que foi, além de pintor, também inventor e cientista, e foi extremamente influente em seu tempo. É uma das obras de arte mais conhecidas do mundo e também uma das que tem um valor que podemos considerar como incalculável. Está exposta no Museu do Louvre, em Paris. É uma obra cheia de mistérios, pois até hoje se especula quem era a pessoa retratada, se era uma mulher (como o nome pela qual ficou conhecida sugere), se era um homem (conhecido ou não do pintor), ou se era - como conspiram alguns - o próprio Leonardo.

Fatos históricos do período: há várias mudanças acontecendo nesse período (que compreende o início da Idade Moderna), e, dentre eles podemos citar o próprio Renascimento, a Formação das Monarquias Absolutistas Modernas e os Grandes Descobrimentos.

2.ª) Pintura do teto da Capela Sistina - 1512 - de Michelângelo Buonarroti


É uma das grandes obras primas que fazem parte do Renascimento italiano durante o século XVI. Seu autor, o italiano Michelângelo Buonarroti, foi um dos grandes gênios do período renascentista, e também foi, além de pintor, um ótimo escultor, uma vez que é dele esculturas como o "Davi" ou a "Pietá". Neste afresco, que foi pintado dentro das dependências do Vaticano, mais precisamente no teto desta capela (cujo nome "sistina" se deve ao fato de ter sido construída pelo papa Sisto IV, um pouco antes, ainda no século XV), foi um pedido do papa Júlio II (que queria uma pintura que inspirasse os fiéis a conhecer melhor a obra da criação divina).



Fatos históricos do período: dentre as várias mudanças que ocorriam nesse período (que compreende o início da Idade Moderna), podemos citar o próprio Renascimento e um momento-chave que se avizinhava, com o grande rompimento que seria o da Reforma Protestante.


SÉCULO XVII

3.ª) Auto retrato - 1623 - de Peter Paul Rubens


É um dos grandes pintores do século XVII, sendo que o flamenco (hoje em dia seria considerado como um holandês), Peter Paul Rubens foi um dos grandes pintores que lançaram bases do que se tornaria a pintura no período pós-Renascimento, já que o estilo do Romantismo - na pintura - ainda estava muito no início. Era um mestre em pintar tudo o que via, exatamente como se lhe apresentava. Talvez por isso mesmo, fez vários auto retratos (como este que vemos aqui neste artigo).



Fatos históricos do período: já quase chegando em meados da Idade Moderna, o grande fato histórico desse momento é a difusão das ideias do Iluminismo.


4.ª) As Meninas - 1656 - de Diego Velasquez


O pintor espanhol Diego Velásquez é um dos grandes pintores da escola espanhola e foi pródigo em pintar de forma a não somente se captar a imagem, mas também a de fazê-la de uma forma que podemos chamar - no mínimo - de inusitada. O maior exemplo disso é a tela aqui apresentada, onde - numa quase inversão de valores - pode-se considerá-la como que um "estudo de pintura", afinal a tela não nos mostra um retrato comumente feito à época, mas sim o próprio pintor em seu trabalho dentro da realeza espanhola. Dizemos isso pois o pintor aparece na tela (à esquerda dela, frente a própria tela que estava produzindo, cujos retratados aparecem no espelho ao fundo, sendo eles o próprio casal real), dando uma ênfase em modelos que não eram os que primeiramente seriam retratados (como a infanta Margarida, filha do casal, suas damas de companhia e, até mesmo, o cachorro de estimação da real menina), colocando também - de forma magistral - o próprio observador da tela (seja em que tempo for), também como parte da obra (como se estivesse no cômodo real, durante a pintura da tela). Isso é uma mudança de paradigma (e mesmo de foco), levando a arte por caminhos nunca dantes trilhados.



Fatos históricos do período: já passando de meados da Idade Moderna o grande fato histórico é a difusão das ideias do Iluminismo (que cada vez mais trazem respostas do mundo através do prisma da Ciência, e se afastando, mais e mais, da tão soberana - durante a Idade Média - Religião).


SÉCULO XVIII

5.ª) Miss Bowles com seu cão - 1775 - de Sir Joshua Reynolds


O pintor inglês Sir Joshua Reynolds é um dos grandes pintores da escola inglesa, no século XVIII, e era extremamente profissional (mesmo que os temas de suas telas fossem um tanto quanto simples, já que era um pintor de retratos, tema que era considerado como que sem muitas dificuldades quanto a sua realização). Porém, Reynolds tinha uma técnica toda sua, e esta consistia em conquistar seu modelo antes da tela ser pintada (coisa que ele levou às últimas consequências, com a menina miss Bowles, já que ele visitou sua modelo algumas vezes - para conquistar sua confiança - fazendo com que, ao posar para ele, não houvesse nada que pudesse atrapalhar a cena com a modelo de seu quadro). Algo simples, porém, para a época, muito inovador.



Fatos históricos do período: já quase no final da Idade Moderna o grande fato histórico é o princípio da Revolução Industrialna Inglaterra (e que cada vez mais mudaria o mundo, inclusive seria uma grande revolução também no âmbito das Artes).

6.ª) A Morte de Marat - 1793 - de Jacques-Louis David


O pintor francês Jacques-Louis David é um dos grandes pintores da escola francesa de pintores de cenas épicas do final do século XVIII, e pintou muitos quadros cujos temas eram personagens ou cenas da Revolução Francesa, tornando-se um especialista nesse tipo de pintura (vindo a influenciar muitos pintores pelo mundo, inclusive o pintor Pedro Américo, o pintor do célebre quadro "Independência ou Morte", que se presta a ser um registro do Grito do Ipiranga, momento em que Dom Pedro torna o Brasil independente de Portugal, em 7 de setembro de 1822).


Fatos históricos do período: já adentrando a Idade Contemporânea o grande fato histórico - e que é o marco inicial da própria Idade Contemporânea - é a Revolução Francesa (e todas as mudanças que advieram dela). 


SÉCULO XIX

7.ª) A Liberdade guiando o povo - 1830 - de Eugène Delacroix


Seguindo a linha de seu antecessor David, o pintor francês Eugène Delacroix também se especializou como um dos grandes pintores da escola francesa de cenas épicas, seguindo, pelo decorrer do século XIX, com esta vertente da pintura. Acabou sendo o grande pintor de temas revolucionários, como a Revolução Liberal de 1830, tornando-se um dos grandes especialistas neste tema. Era extremamente devotado ao seu ofício, fazendo com que composições difíceis ficassem bastante simples à compreensão de seu público, sendo, por isso mesmo, muito lembrado pelas suas belíssimas cenas épicas.



Fatos históricos do período: já adentrando o século XIX, o grande fato histórico são as ondas revolucionárias - cuja continuidade se dá com a Revolução Liberal de 1830 (já que ela é considerada a "segunda onda", uma vez que a Revolução de 1820 é a "primeira onda", e a próxima delas, a Revolução de 1840, foi a "terceira onda"). 

8.ª) O Moinho de La Galette - 1876 - de Pierre-Auguste Renoir


Também um pintor francês, Pierre-Auguste Renoir foi um dos grandes nomes da pintura do século XIX. Produziu muito durante sua longa carreira artística e foi um dos mentores e ícones do Impressionismo, um dos primeiros movimentos artísticos bem estruturados da história da Arte. Era estupendo na forma como dava suas pinceladas e pode-se dizer que foi uma estrela das artes em seu tempo, tornando-se uma celebridade ainda em vida (e muito mais após sua morte).


Fatos históricos do período: o fato histórico principal desse período remete ao próprio tema do quadro, à Revolução Industrial (que já havia entrado em sua segunda etapa, a chamada "Segunda Revolução Industrial", a da energia elétrica, e estava se expandindo a outros países europeus, além da Inglaterra). Há também o fato de haver acontecido na Europa - havia meros cinco anos - a Unificação da Itália e a Unificação da Alemanha, ambas ocorridas em 1871. 

9.ª) A Estação de Trem de Saint Lazare - 1877 - de Claude Monet


Outro pintor francês, o também - e mais célebre ainda (tendo mesmo batizado o movimento impressionista), Claude Monet foi um dos grandes nomes da pintura no século XIX. Produziu bastante em sua longa vida (viveu até os 86 anos), e ficou conhecido por seus estudos extremamente detalhados, em repetidas pinturas da mesma cena - porém em diversos momentos do dia, fazendo com que os resultados fossem diferentes, já que, para ele, era a luz que mais influenciaria a pintura. Foi um dos artistas que mais influenciaram as revoluções artísticas que estavam porvir (em especial as que aconteceriam já no século XX). 

Fatos históricos do período: o fato histórico principal desse período remete ao próprio tema do quadro, à Revolução Industrial (que já havia entrado em sua segunda etapa, a chamada "Segunda Revolução Industrial", a da energia elétrica), bem como com uma expansão das estradas de ferro pelo mundo (esta ainda um efeito da "Primeira Revolução Industrial", a da energia à vapor).

10.ª) O quarto do artista em Arles - 1889 - de Vincent van Gogh


O pintor holandês Vincent van Gogh foi, em sua curta vida - já que morreu com 37 anos - pouco reconhecido por suas pinturas, tendo dificuldades em vender suas telas, levando a problemas financeiros constantes e passou seus últimos dias doente e na penúria. Porém, quando o século XX chegou - cheio de gana por novas ideias e novas formas de ver o mundo - os artistas acabaram resgatando as obras do holandês (que era pouco conhecido até mesmo na Holanda, tendo, porém, um pouco de reconhecimento somente na agitada Paris).


Fatos históricos do período: o fato histórico principal desse período remete, também, à Revolução Industrial (que já estava quase entrando em sua terceira etapa, a chamada "Terceira Revolução Industrial", a da energia petrolífera), bem como com a invenção dos primeiros automóveis que vão ocorrendo pelo mundo (fazendo com que a Indústria mostrasse que sua revolução era algo contínuo e permanente).  


SÉCULO XX

11.ª) Harmonia em Vermelho - 1908 - de Henri Matisse


O pintor francês Henri Matisse foi um dos grandes pintores do século XX, e era também gravurista, desenhista e escultor. Era um mestre no uso da cor em toda a sua plenitude, usando muito seus dotes de desenhista em suas telas.



Fatos históricos do período: o fato histórico principal desse período remete ao Imperialismo, em fins do século XIX e início do século XX, bem como a sua decorrência imediata - que foi a corrida armamentista conhecida como "Paz Armada" - e também sua decorrência mais a médio prazo - que acabou por ser a própria Primeira Guerra Mundial (que começaria dali a meros 6 anos).  

12.ª) Abaporu - 1928 - de Tarsila do Amaral


A pintora brasileira Tarsila do Amaral é um dos ícones do Modernismo brasileiro, e esta tela - posterior a "Semana de Arte Moderna de 1922", que, inclusive, ela não chegou a participar - é de um momento em que a pintora já havia entrado pra turma dos modernistas, tendo o seu grande affair com Oswald de Andrade (para quem fez esta tela), e que acabou sendo a imagem pictórica do Movimento Antropofágico de Oswald).



Fatos históricos do período: estamos aqui chegando ao momento-chave do século XX, onde, no ano seguinte, ocorreria Queda da Bolsa de Nova York (em 1929), que jogaria a democracia ocidental e o capitalismo em sua primeira crise - que, a curto prazo, levaria o mundo à uma guinada para o Totalitarismo (com a ascensão do Fascismo, na Itália, e do Nazismo, na Alemanha).  

13.ª) A Persistência da Memória - 1931 - de Salvador Dalí


O pintor espanhol Salvador Dalí foi o "grande papa" do Surrealismo, e criou algumas telas em que constavam tanto uma grande beleza onírica, acrescida de cenas bizarras e quase sobrenaturais. Foi uma estrela da pintura ainda em vida e era figura presente nas revistas e jornais (devido suas excentricidades, tanto as artísticas, quanto as pessoais).

Fatos históricos do período: momento em que o mundo começava a passar pela Grande Depressão dos Anos 1930 (principalmente nos Estados Unidos da América), bem como a ascensão do Totalitarismo (em muitos países da Europa, inclusive na Espanha, terra de Dalí).   

14.ª) Guernica - 1937 - de Pablo Picasso


O pintor espanhol Pablo Picasso foi um dos criadores do Cubismo e foi uma grande estrela da pintura em boa parte do século XX. Sua técnica de pintura - que remete às pinturas rupestres - e outros elementos pictóricos (tais como as máscaras tribais africanas). Foi um dos grandes boêmios frequentadores dos bares do bairro de Montmartre, em Paris, nos Anos 1920, e foi uma estrela das artes sempre em ascensão.    


Fatos históricos do período: o momento principal tem a ver com o tema do própria tela, já que ela mostra o bombardeio da cidade de Guernica, feito pela Força Aérea Alemã (que estava apoiando o exército do general Franco na Guerra Civil Espanhola), sendo que esta acabou sendo uma espécie de ensaio para a Força Aérea Alemã - a famosa Luftwafle - para os bombardeios da Segunda Guerra Mundial (em especial, os bombardeios à cidade de Londres, na Inglaterra). 

15.ª) Convergência - 1952 - de Jackson Pollock


O pintor norte-americano Jackson Pollock foi o criador de uma nova forma de pintura (onde ele lançava as tintas com o pincel à uma distância considerável da tela, fazendo com que a tinta "explodisse" contra sua superfície), lançando as bases do Expressionismo Abstrato.  



Fatos históricos do período: momento em que o mundo passa pelo início mais contundente da Guerra Fria (e do embate E.U.A. X U.R.S.S. / Capitalismo X Socialismo), que levaria cada vez mais o mundo à corrida armamentista nuclear.   

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Espero que tenham gostado desse "passeio" por quase 500 anos de História através da análise dessas 15 telas de pintura (e de seus 15 famosos pintores), numa mistura bem legal com a história da Arte...