sexta-feira, 26 de outubro de 2018

Os 50 anos da Primavera de Praga


No emblemático e incendiário ano de 1968 o mundo passava por um período de rebeliões, protestos e tentativas de rupturas com o "status quo" vigente (e isso em diversas partes do mundo). Sendo assim, nesse artigo vamos revisitar um desses eventos - ocorridos entre janeiro e agosto de 1968 - em Praga (então capital da Tchecoslováquia, já que estes dois países - a República Tcheca e a Eslováquia - formavam um só país, tendo isso sido imposto pelos ganhadores da Primeira Guerra Mundial, ainda em 1918). E, quando os soviéticos foram tomando os países do Leste Europeu, durante sua corrida "libertária" rumo à Alemanha nazista, em 1944, durante os últimos momentos da Segunda Guerra Mundial, a Tchecoslováquia também acabou entrando na "conta"

Após, o término da guerra, nos passos iniciais da própria Guerra Fria, a Europa acabou dividida - como um espólio de guerra - entre os dois lados vencedores, ou seja, a Europa Ocidental (o Oeste Europeu), ficou sob a liderança capitalista dos Estados Unidos da América [os E.U.A.], e de seus aliados europeus, que eram a Inglaterra e a França, enquanto a Europa Oriental (o Leste Europeu), ficou como se seus países fossem "territórios satélites", orbitando sua "estrela-mãe", a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas [a U.R.S.S.], vindo daí a expressão cunhada pelo primeiro-ministro inglês, Winston Churchill: "Uma 'cortina de ferro' caiu por sobre o Leste Europeu.", designando, assim, a área europeia sob influência soviética.


E, assim sendo, durante os anos que se seguiram, essa influência soviética só fez aumentar nessa região. E, como haviam grupos de oposição à essa hegemonia soviética na região do Leste Europeu (com graus diferentes de força e de determinação), foram ocorrendo movimentos que visavam acabar ou minimizar com a influência dos soviéticos. O primeiro deles a ter uma grande divulgação - inclusive na Europa Ocidental - foi a tentativa da Hungria de uma distensão do comunismo instaurado por lá (isso ainda em 1956). Esse movimento foi "esmagado" pelos soviéticos sem a menor preocupação em manter aparências de legalidade - ou algo desse gênero - por Nikita Khruchtchev, que enviou tanques e soldados para mostrar quem, efetivamente, mandava no país...


Depois do resultado da tentativa húngara, o Leste Europeu ficou mais de uma década em um silêncio resignado, sendo que somente após a troca do poder na União Soviética - com a subida ao poder de Léonid Brejnev - em 1966, que outra tentativa se deu. Porém, o sucessor de Khruchtchev acabou se mostrando mais aguerrido ainda à defesa da posição soviética na Europa. É o que ficou bem claro com a tentativa de abertura política do socialismo na então Tchecoslováquia, dirigida àquela época pelo comunista moderado Alexander Dubcek (que ficou conhecida como a Primavera de Praga).


Ela se iniciou em 5 de janeiro de 1968, quando o líder eslovaco, Alexander Dubcek, tentou impor - logo após sua subida ao poder - algumas reformas ao sistema político socialista da Tchecoslováquia. E, como era óbvio de se pensar à época, a União Soviética não gostou nem um pouco dessas ideias reformistas de Dubcek. Porém, após as atrocidades cometidas durante a invasão da Hungria, em 1956, os soviéticos não queriam mais publicidade negativa e, dessa maneira, tentaram uma outra maneira de lidar com esse novo fato.


E, mesmo que o novo líder soviético, Léonid Brejnev, também tenha enviado tanques à Praga, estes não entraram em ação tão prontamente como na ação ocorrida na Hungria, mais de uma década antes. Na realidade, o que aconteceu foi uma grande "queda de braço" entre Léonid Brejnev Alexander Dubcek, - com uma visão mais aberta dos acontecimentos, por parte do Ocidente, o que ajudou a minimizar a resposta soviética (coisa que não ocorreu quando da tentativa húngara, em 1956) - tendo ela se estendido por boa parte do ano de 1968. Durante o processo da chamada Primavera de Praga, Dubcek tentou transformar o comunismo na Tchecoslováquia em algo mais parecido com uma "social-democracia", abrindo as portas de sua economia aos países capitalistas, bem como dando mais liberdade aos tchecoslovacos e sua sociedade...


Porém, mesmo que de uma forma menos drástica e por um período mais longo que na sua predecessora (a Hungria), a tentativa tchecoslovaca também esbarrou no intransigismo soviético (que não queria nenhum tipo de abertura, política ou econômica, em seus países "aliados" do Leste Europeu). Dubcek foi chamado a Moscou, encontrou-se com Brejnev e, após "negociações", o dirigente tchecoslovaco voltou ao seu país já desempossado de seu cargo (o que ocorreu em 21 de agosto de 1968, com tanques de países aliados ao Pacto de Varsóvia), acabando de vez com as reformas pretendidas.

  
Esmagada, como o levante da Hungria (em 1956), - com a diferença que a ação na Tchecoslováquia foi mais branda e teve consequências menos drásticas ao país - o Leste Europeu ainda teria de esperar mais 21 anos para conseguir se desvencilhar da influência soviética nos países que o compõem (coisa que só ocorreria em 1989, com a Queda do Muro de Berlim). Mas aí já é outra História!!...


sexta-feira, 19 de outubro de 2018

A Crise dos Mísseis em Cuba de 1962: quando a Terceira Guerra Mundial nunca esteve tão próxima


Durante a segunda metade de outubro de 1962 - ou seja, há 56 anos atrás - o governo de John F. Kennedy passou por sua maior "prova de fogo" (dentro do contexto da Guerra Fria, que vivia o seu pleno auge nesse momento). Tudo começou com uma "queda de braço" que vigorava há tempos entre as duas potências hegemônicas e antagônicas desse mundo do pós-guerra, onde os dois maiores ganhadores da Segunda Guerra Mundial (os Estados Unidos da América [E.U.A.], e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas [U.R.S.S.], que lutavam entre si para impor sua ideologia ao restante do mundo, sendo estas - respectivamente - o Capitalismo e o Socialismo). E, nessa batalha, a principal das armas era a espionagem. Foi quando o avião-espião norte-americano (o chamado U2), acabou por capturar imagens que os deixaram atônitos (e o mundo bipolarizado, que estes capitaneavam - em oposição aos soviéticos - idem): foram fotografadas algumas instalações que denotavam serem para utilização de lançadores de mísseis, sendo que isso foi descoberto em Cuba (ou seja, no antigo "quintal" dos norte-americanos, a ilha tornada comunista, após a Revolução Cubana, de Fidel Castro, em 1959), sendo que, assim, os cubanos se tornam os grandes parceiros do governo soviético de Nikita Khruschev na América

[Na foto acima, o encontro entre o presidente John F. Kennedy e premier Nikita Khruschev, durante as negociações entre E.U.A. e U.R.S.S. visando acabar com o impasse dos mísseis em Cuba. Já na foto abaixo, uma das imagens feitas pelo avião-espião U2, quando sobrevoava o espaço aéreo cubano, indicando os locais onde o lançadores de mísseis estavam sendo montados.] 


Com isso, o impasse diplomático foi extenuante e extremamente difícil de se conseguir uma resolução de forma pacífica. Não adiantaria tentar se resolver nada com o comandante de Cuba, Fidel Castro, uma vez que, após a tentativa frustrada de derrubada de seu governo - que ficou conhecida como Invasão da Baía dos Porcos - que foi autorizada (mesmo que, ao que dizem, à contragosto), pelo presidente John F. Kennedyno ano anterior de 1961, as relações diplomáticas entre os E.U.A. e Cuba eram nulas, principalmente devido aos embargos econômicos impostos aos cubanos pelo governo norte-americano.

[Na foto a seguir, prisioneiros cubanos apoiados pelos E.U.A. capturados pelo exército cubano, após a tentativa de Invasão da Baía dos Porcos, em 1961.]


Sendo assim, a resolução teria de ser - mesmo - levada a cabo pelos principais rivais da Guerra Fria (o que poderia levar à uma "guerra de fato", o que tinha a caracterização que o mundo todo sabia qual era: uma "Terceira Guerra Mundial", e dessa vez, transmutada numa "guerra atômica")...

Os passos seguintes foram como uma partida de xadrez entre as super-potências, com declarações e exigências de retirada dos mísseis e investidas - entenda-se como ataques nucleares - de ambas as partes, fossem eles aos seus respectivos territórios (ou seja, aos Estados Unidos da América [E.U.A.], ou à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas [U.R.S.S.]), ou à própria ilha de Cuba (já que era esta o verdadeiro "pomo da discórdia" nesse caso específico). Mesmo com alguns de seus conselheiros querendo ir "às vias de fato", Kennedy iniciou sua "partida de xadrez" exigindo a retirada dos mísseis (e efetuando um bloqueio militar - aéreo e naval - bem próximo à Cuba), visando evitar a chegada de mais mísseis à ilha de Fidel.


[Na foto anterior podemos ver um destróier e um avião das forças armadas, enviados pelos E.U.A. no que ficou conhecido como o Bloqueio Militar à Cuba, ocorrido nos momentos cruciais da Crise, em fins de outubro de 1962.]

Depois disso, o evento virou uma grande "queda de braço" entre as duas super potências, já que, para a retirada de seus mísseis de Cuba, a U.R.S.S. exige a retirada de mísseis norte-americanos, pedidos por membros europeus da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), que estavam sendo posicionados na Turquia (mais ou menos à mesma época dos mísseis soviéticos instalados em Cuba). As negociações se estendem por 13 dias - do dia 16 de outubro ao dia 28 de outubro de 1962 - sendo este período o momento onde o mundo todo "prendeu a respiração" (devido ao grande receio de que uma guerra nuclear eclodisse a qualquer hora).

[Na próxima foto podemos ver mísseis norte-americanos das forças armadas, enviados pelos E.U.A. a pedido da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), também durante outubro de 1962, e que começaram a ser posicionados na Turquia.]



E, tendo ocorrido depois de muito impasse, muitas ameaças e concessões sem fim (feitas de ambas as partes do que foi um "quase conflito"), tudo acabou sendo resolvido de forma diplomática. E o mundo escapou de um impasse que quase o levou à uma nova guerra - que dessa vez seria, com toda a certeza, atômica - e que poderia ter se transformado na "Terceira Guerra Mundial".

Em 2000 foi lançado o filme "Treze Dias que Abalaram o Mundo", dirigido por Roger Donaldson e estrelado por Kevin Costner. Nele, todo o evento da Crise dos Mísseis em Cuba (crise essa ocorrida durante 13 dias - de 16 a 28 de outubro de 1962 - vindo daí o título desse longa metragem), é contado e dramatizado, sendo um ótimo filme para se entender os acontecimentos relatados aqui neste artigo, sendo que o ator principal faz o papel de Kenneth O'Donnellum dos consultores políticos - bem como secretário de nomeações e assistente especial - do presidente John F. Kennedy (e um dos envolvidos que mais defendiam uma ação que resolvesse tudo de forma diplomática, evitando-se ao máximo qualquer tipo de resolução militar para este impasse).


[Na foto abaixo podemos ver o cartaz do filme acima descrito.]


Podemos concluir que, com esse impasse, várias mudanças - de ambos os lados da Guerra Fria - ocorreram. Em primeiro lugar, do lado comunista, este foi o final da teoria conhecida como a "Coexistência Pacífica", teoria esta que era "pregada" pelo próprio premier soviético, Nikita Khruschev, e que dizia ser possível - e necessária - uma convivência de relativa paz com o lado do Capitalismo. Esta teoria era uma espécie de "meio termo" entre duas teorias opostas - e existentes desde os primórdios da Revolução Russa de 1917 - sendo elas: a teoria da "Revolução Permanente" (de Trotsky), que queria um constante movimento revolucionário mundial, visando levar muitos países à implantação do Comunismo, e a teoria do "Socialismo de um Só País" (de Stálin), que achava que somente a União Soviética deveria ser o bastião socialista no mundo, mantendo-se, assim, a bipolaridade da Guerra Fria. Com esse "meio termo" de Khruschev, somente os países que já haviam abraçado o Comunismo teriam algum tipo de ajuda soviética (caso - à época - de Cuba e da China).

[Na foto a seguir, vemos os grandes aliados do pós-crise: Fidel Castro (que manteve Cuba como um "satélite" soviético na América), e seu "chefe", o premier soviético, Nikita Khruschev.]



E, em segundo lugar, do lado capitalista, este foi o ponto inicial da grande oposição ao governo de John F. Kennedy, e que, caso concordemos com a tão conhecida - e divulgada - "Teoria da Conspiração" (que diz ser o Assassinato de John F. Kennedy uma conspiração interna para matá-lo, devido a desentendimentos - com militares norte-americanos, com a CIA e algumas outras vertentes da sociedade - sendo estes criados por atitudes presidenciais consideradas "pacíficas" demais por estas camadas do poder). Assim sendo, caso se concorde com esta teoria, é passível dizer que foi a forma como Kennedy lidou com este grande impasse da Guerra Fria, um dos primeiros motivos que acabaram por levar - em última instância - ao seu assassinato (que ocorreria praticamente após um ano da Crise dos Mísseis em Cuba, em novembro de 1963).

[Na foto abaixo, uma das imagens mais conhecidas do atentado em Dallas, e que mostra o momento exato do tiro fatal que assassinou o presidente John F. Kennedy, ocorrido em 22 de novembro de 1963.]


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Sobre este fato histórico - o Assassinato de John F. Kennedy - voltaremos a analisá-lo mais profundamente num próximo artigo (à ser publicado mais adiante). Até lá, então...

sábado, 22 de setembro de 2018

Os 30 anos da Constituição de 1988 (e uma geral nas outras constituições do Brasil)


O Brasil, durante toda a sua breve história, teve 7 - Isso mesmo: sete constituições! - e, sendo assim, é intenção desse artigo falar de todas elas - em especial da última delas, a de 1988, que está completando exatos 30 anos no dia de hoje (já que foi promulgada em 22 de setembro de 1988). [Como mostra a foto abaixo, deste dia, com o deputado Ulisses Guimarães levantando-a e mostrando-a "ao povo brasileiro".] 


Esta Constituição foi chamada de "Constituição-Cidadã", numa alusão ao fato de que, após 21 anos de Ditadura Militar (de 1964 a 1985) - bem como à política do Brasil ter vivido tantas intercalações entre breves períodos democráticos (ou quase isso), e momentos ditatoriais (além do que já foi citado acima, houve também a Ditadura do Estado Novo, sob o governo de Getúlio Vargas, entre 1937 e 1945).

Bem, antes de falar especificamente sobre nossa última Constituição, vamos fazer uma breve análise das constituições que a precederam. É o que faremos à seguir...

-.-x_X_x-.-


Vamos a elas, portanto...

1.ª) Constituição de 1824 (do Império do Brasil):



Foi outorgada (ou seja, não foi votada e aprovada por uma Assembleia Constituinte - que havia sido dissolvida pelo Imperador Dom Pedro I no ano anterior de 1823 - mas imposta à aprovação de uma Assembleia enfraquecida), no dia 25 de março de 1824. Foi a mais duradoura da história do Brasil, tendo vigorado por 65 anos.

2.ª) Constituição de 1891 (a primeira da República do Brasil):



Foi promulgada (ou seja, votada e aprovada por uma Assembleia Constituinte), em decorrência da Proclamação da República, ocorrida em 1889, e a posterior troca de forma de governo no país (de Monarquia para República). Durou somente durante o período conhecido como "República Velha", e por um pequeno momento, logo após a "Revolução de 1930", totalizando assim 43 anos.

3.ª) Constituição de 1934 (a da chamada segunda República do Brasil):



Foi promulgada (votada e aprovada por uma Assembleia Constituinte), mesmo que com muito clamor popular (em especial decorrente das batalhas da Revolução Constitucionalista de 1932, onde os paulistas pegaram em armas e cobraram uma nova constituição para o pós "Revolução de 1930"). Mesmo tendo sido derrotados pelo exército federal de Getúlio, suas exigências surtiram o efeito desejado, já que foi instaurada uma Assembleia Constituinte, em 1933, sendo esta que gerou a chamada "Constituição de 1934". Porém, a mesma teve vida curta, uma vez que o golpe de Estado de Vargas acabou por instaurar a Ditadura do Estado Novo, em 1937, e, com ela, uma nova constituição veio junto (fazendo com que esta 3.ª Constituição durasse meros 3 anos, sendo a que menos tempo vigorou em nossa história política).

4.ª) Constituição de 1937 (a "polaca", devido ao viés fascista da mesma):



Foi outorgada (ou seja, imposta e aprovada pelo então ditador Getúlio Vargas), e era uma clara cria do golpe de Estado que acabou por instaurar a Ditadura do Estado Novo, em 1937, tendo vigorado durante esta ditadura (ou seja, por 9 anos). Com o término da Segunda Guerra Mundial (e a consequente derrubada de Vargas do poder, com o fim da guerra). Com as novas eleições (e com o novo presidente, o general Eurico Gaspar Dutra), uma nova Assembleia Constituinte foi instituída, dando origem à nossa próxima constituição.

5.ª) Constituição de 1946 (a da chamada terceira República do Brasil):



Foi promulgada (ou seja, aprovada por uma nova Assembleia Constituinte), e era uma clara guinada democrática pós golpe de Estado da Ditadura do Estado Novo, em 1937. Iniciou-se com o novo presidente, Eurico Gaspar Dutra, e durou até - infelizmente - um novo golpe de Estado, desta vez perpetrado pelos militares, em 1964. Um pouco depois, em 1967, uma nova constituição veio à tona, pelas mãos do novo mandatário, o marechal Castelo Branco. Durou 21 anos.

6.ª) Constituição de 1967 (deu legitimidade à Ditadura Militar no Brasil):



Foi "promulgada" (ou seja, leia-se aí outorgada, mesmo, pelos políticos que estavam à mercê das ordens dos militares, já que o Congresso Nacional havia sido fechado no ano anterior, em 1966, e mutilado pelas muitas cassações de parlamentares ocorridas no período), e foi uma clara guinada ditatorial pós golpe de Estado da Ditadura Militar, em 1964. Iniciou-se com o primeiro presidente militar, o marechal Castelo Branco, passando por todos os outros militares que governaram durante a Ditadura Militar, e ainda perdurou até a promulgação da nova - e atual - Constituição (a de 1988). Sendo assim, também durou 21 anos (mesmo período que a própria Ditadura Militar perdurou).

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E então, chegamos à nossa atual Constituição - a que está completando 30 anos hoje - e que detalho melhor abaixo:

7.ª) Constituição de 1988 (a chamada Constituição-Cidadã do Brasil):



Foi promulgada (ou seja, aprovada por uma nova Assembleia Constituinte, convocada logo após a primeira eleição legislativa ocorrida logo após o poder ser passado aos civis), pelos políticos que, desta vez, haviam sido eleitos de forma direta. Ficou conhecida como "Constituição-Cidadã", numa alusão ao fato de que, após 21 anos de Ditadura Militar (de 1964 a 1985) - bem como à política do Brasil ter vivido tantas intercalações entre breves períodos democráticos (ou quase isso), e momentos ditatoriais (além do que já foi citado acima, houve também a Ditadura do Estado Novo, sob o governo de Getúlio Vargas, entre 1937 e 1945). Mesmo que, pela mera contagem de tempo, ela seja somente a quarta mais duradoura da história política do país, ela é que por mais tempo democrático tenha perdurado. E, mesmo que já lhe seja necessária algumas reformas - como a tão temida reforma da previdência, ou a tão recalcitrante reforma política - ao menos até então, ela tem feito bem o seu papel (papel este que já era comemorado e ressaltado logo após sua promulgação). 

Resumindo: como tudo no Brasil, isso também é algo que ainda tem muito a melhorar e - na realidade - ainda está em plena construção. Prossigamos, então...

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Uma narrativa da Segunda Guerra Mundial


Há poucos dias atrás, no último dia 1.º de setembro, completou-se 79 anos do início da Segunda Guerra Mundial, já que foi neste dia - em 1939 - que exércitos do III Reich alemão (comandados por seu fuhrër, Adolf Hitler), com a invasão da Polônia. [Na foto acima, uma das cenas de batalha na Europa.]

E, já que é intensão desse artigo fazer uma narrativa que resuma como foram os conturbados 6 anos da Segunda Guerra Mundial, vamos iniciar - logo abaixo - com uma breve explicação de como foi a ascensão dos governos totalitários em algum países da Europa, seguindo adiante com a guerra, propriamente dita. Então, vamos lá...

-.x-X-x.-

Tudo começou no início dos Anos 1920, na Itália, com a subida ao poder de Benito Mussolini [abaixo, na foto da esquerda], que instaurou o Fascismo (com um golpe de Estado), primeiro governo totalitário da Europa. Tentando seguir seus passos, Adolf Hitler [abaixo, na foto da direita], tentou um golpe na Alemanha, porém este não foi vencedor. Com isso, Hitler teve de aguardar mais de uma década para subir ao poder (de forma democrática), em 1933, e, após isso, começar uma grande perseguição à oposição, fazendo assim com que seu Nazismo se tornasse o partido único - e totalmente poderoso - da Alemanha (dando, com isso, as condições para que a Segunda Guerra Mundial se iniciasse, ainda antes do final desta mesma década de 1930).














Com isso, os Anos 1930 foram marcados por esta tendência totalitarista em alguns países europeus (também havia chefes de Estado totalitários em Portugal - com Salazar - e na Espanha - com o chamado "generalíssimo" Franco), e isso ocorreu como uma resposta à noção de que a democracia havia tido uma grande perda (com a derrocada econômica advinda da Crise da Queda da Bolsa de Nova York, em 1929, e a posterior Depressão, durante a década de 1930).

Devido às alianças criadas em segredo, dois blocos se delinearam. Eram eles: os chamados Aliados - que eram, principalmente, a Inglaterra, a França e a União Soviética (com os Estados Unidos da América entrando mais adiante) - e o chamado Eixo - que eram a Alemanha, a Itália e o Japão (com a Itália mudando de lado antes do final da guerra). Foi entre estes dois blocos (e seus aliados "secundários", principalmente no lado dos Aliados). [À seguir, um quadro com as principais alianças da Segunda Guerra Mundial.]


A Segunda Guerra Mundial tem dois momentos específicos, sendo eles: o de Avanço do Eixo - entre 1939 e 1941 - e o de Avanço dos Aliados - entre 1942 e 1945.

No primeiro momento o exército nazista - e sua "blitzkrieg", ou, como ficou conhecida pelos Aliados, sua "guerra relâmpago" [Na primeira foto à seguir, o temido exército nazista em uma das invasões da Segunda Guerra Mundial.] - foi tomando conta dos países que invadiu (tais como a Polônia, a Bélgica, a Dinamarca, a Noruega e, a "cereja do bolo" alemão, a França (que ficou dividida em "França ocupada", com capital em Paris, e "França colaboracionista" - ou seja, nazista - com capital em Vichy). [Na segunda foto abaixo, o momento em que Hitler e sua cúpula nazista passeia pela Paris tomada.] Durante este primeiro momento somente a Inglaterra se manteve impassível aos ataques alemães, mesmo com bombardeios quase diários da Luftwaffe (a força aérea nazista) [Na terceira foto abaixo, um dos bombardeios à Londres.]. Também a Itália se expandiu (como em sua invasão à Etiópia, no norte da África), bem como o Japão imperialista dominou partes da China, a Coreia (que, à época, ainda não havia se dividido), e muitas ilhas do Pacífico Sul, fazendo com que o Eixo se expandisse bastante nesse momento... 





E, já num segundo momento - após o ataque japonês à Pearl Harbor , uma base naval norte-americana no Hawaii - os Estados Unidos da América entram na guerra, fazendo com que o jogo comece a virar a favor dos Aliados [Na primeira foto abaixo, um dos bombardeios que dizimaram a frota norte-americana no Pacífico Sul.]. Os pontos principais dessa virada são as derrotas impingidas aos alemães na União Soviética, principalmente com a Batalha de Stalingrado (entre 1942 e 1943) [Na segunda foto à seguir, um instantâneo que mostra a garra do Exército Vermelho soviético em sua defesa à Stalingrado.], ou pelo restante dos Aliados - à saber: Inglaterra, Estados Unidos da América e França, dentre outros - com o próprio "Dia D" (à partir de junho de 1944) [Na terceira foto abaixo, um dos momentos do grande desembarque do Dia D.].   





Bom, podemos dizer que após o início desta segunda fase, durante o decorrer da mesma, o Eixo - primeiramente, com a Alemanha, na Europa, e, depois, com o Japão, na Ásia - só seguiu uma grande "ladeira abaixo" na direção da derrota. E, como os dois grandes vencedores - que se delineavam na geo-política do pós-guerra - esta Segunda Guerra Mundial já nos mostrava um pouco do que a Guerra Fria seria... Digo isso pois os EUA - vindo do oeste, com os outros Aliados (desde o desembarque do "Dia D") - e a URSS - com seu exército vermelho vindo do leste (após a Batalha de Stalingrado), foi quase uma corrida para ver quem chegava à Berlim primeiro. Uma vez que a URSS ganhou essa "corrida" [Na primeira foto à seguir, o momento em que os soviéticos tomam o Reichtag nazista, em Berlim.], os EUA teve de mostrar sua força - no caso com o lançamento das bombas atômicas em Hiroshima [Na segunda foto abaixo, o "cogumelo atômico" gerado pelo lançamento da primeira bomba atômica.] e Nagasaki, no Japão...



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Informo que foi intenção deste artigo fazer uma pequena narrativa da Segunda Guerra Mundial - narrativa esta que se presta a ser um resumo desse fato histórico tão amplo e tão pesquisado - não tendo a pretensão de esgotar o assunto...


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Fatos históricos dos Anos 1960 através da criação de personagens da Marvel Comics


Antes mesmo de se chamar Marvel Comics, ela já fazia algo novo pelas Histórias em Quadrinhos (HQ's) de super-heróis, trazendo com isso contemporaneidade ao gênero. Com a criação de quais personagens isso aconteceu? É o que veremos nesse artigo...


Anteriormente à entrada na década de 1960, quando a Editora ainda se chamava Timely Comics, em 1941Joe SimonJack Kirby criam o Capitão América, um super-herói que era, na verdade, um super soldado que lutaria contra o Nazismo de Adolf Hitler na Europa, durante a Segunda Guerra Mundial. O personagem seria retomado mais adiante e se tornaria um dos grandes personagens da Marvel Comics.





Agora, ao entrarmos, mesmo, na década de 1960 - momento em que a Editora passa a ter o nome pela qual ficou, realmente, conhecida (ou seja, quando ela ganha o nome de Marvel Comics), muitos dos fatos históricos primordiais - desta década tão emblemática do século XX - vão sendo analisados, "in loco", por seus editores, em especial por uma figura que teria - dali para frente - o seu nome extremamente ligado ao da Marvel Comics: Stan Lee; isso devido ao grande rol de super-heróis que este criou (e, principalmente, ao fato de ter sido ele que começou a criar super-heróis mais realistas, que viviam em meio à realidade do seu momento, com um bom "pé na realidade")... Dentre eles, os primeiros a serem criados foram os integrantes do grupo Quarteto Fantástico, que apareceram em 1961, em obra da dupla Stan Lee e Jack Kirby (sendo que estes são os primeiros personagens criados já sob o nome da nova Editora, ou seja: Marvel Comics). Em suas primeiras histórias podemos ver que o pano de fundo histórico é, dentre outras coisas menos marcantes, a própria Corrida Espacial (já que estes eram cientistas e pilotos espaciais que se arriscaram na exploração espacial, mesmo que de forma particular, visando - com isso - ajudarem no pedido feito pelo então presidente dos Estados Unidos da América, John F. Kennedy, feito no mesmo ano de 1961, pedindo afinco dos norte-americanos - em especial, da NASA - na questão de conseguir se levar e se trazer astronautas americanos, em um voo tripulado à Lua, sendo este o principal intuito da própria Corrida Espacial).




Seguindo no "caminho" da década de 1960, a Marvel Comics, em 1962, e através da dupla Stan Lee e Steve Ditko, cria um de seus super-heróis mais conhecidos e amados: o Homem-Aranha. Quanto a que fato histórico esta criação remete, podemos dizer que, neste início da década de 1960, ele ainda não era, assim, tão bem demonstrado e gritante, porém seria algo que - ao final da década em questão - ficaria muito bem demonstrado. Estamos falando da emancipação e, principalmente, do embate que haveria entre os jovens e a sociedade constituída, com fatos como: o Maio de 1968 (em Paris), a realização do grande show de rock do Festival de Woodstock, em 1969 (nos EUA), e, devido a esta coisa só crescer cada vez mais durante a década seguinte de 1970 (que "pega fogo" com a inclusão dos protestos contra a Guerra do Vietnam).




Também em 1962Stan Lee e Jack Kirby criam o Incrível Hulk, um super-herói que era o cientista Bruce Banner, e que trabalhava para o Exército norte-americano e que, devido a um acidente ocorrido quando se testava um novo tipo de armamento - uma bomba que utilizaria a energia gama - fazendo com que este sofresse devido à radiação gama que escapou quando aqueles testes foram feitos. Isso nos remete à própria Corrida Armamentista - com suas bombas atômicas e de hidrogênio - bem como, num âmbito maior, à Guerra Fria (e suas disputas entre os EUA, capitalista, e a URSS, socialista).



Continuando com nossa viagem pela década de 1960, a Marvel Comics cria, em 1963, através da dupla Stan Lee e Jack Kirby, o grupo de super-heróis X-Men, um grupo de mutantes que - mesmo com seus super poderes (advindos de mutações em um genes específico, chamado pelos estudiosos - para o bem ou para o mal - de "fator X") - trazendo para os que as têm, muito mais problemas, do que algo de bom (fazendo-os pensar se estas mutações são um dom ou um grande fardo aos mutantes). Podemos dizer que esta criação remete aos avanços da Ciência na década em questão (em especial à Genética), bem como, em especial, podemos colocá-los como uma espécie de fábula, onde a luta entre humanos e mutantes nos remete ao momento da Luta pelos Direitos Civis dos Negros nos EUA (uma vez que os mutantes liderados pelo Professor Xavier - os X-Men - podem ser ligados aos negros e brancos que achavam que as duas partes poderiam e deveriam viver em comunhão [coisa que era pregada pelo líder Martin Luther King, representado nos quadrinhos pelo líder dos X-Men], bem como - em oposição - os mutantes liderados por Magneto - e sua Irmandade Mutante - pode ser ligada aos negros que queriam um confronto com os brancos [como era pregado pelo líder dessa vertente do movimento, Malcom X, representado pelo líder da Irmandade, Magneto]). Mais Anos 1960, impossível...



E, terminando esse nosso passeio por fatos históricos dos Anos 1960 e suas relações com a criação de alguns super-heróis da Marvel Comics, chegamos ao ano de 1966, quando Stan Lee e Jack Kirby criam o Pantera Negra, um super-herói negro e que era o herdeiro do trono de um reino africano - e fictício - chamado Wakanda, e que, estando nos Estados Unidos da América, acaba por ajudar na defesa dos inocentes (em especial, dos próprios negros). O próprio nome do herói já nos remete ao grupo armado de defesa dos direitos dos negros norte-americanos - que eram conhecidos como Panteras Negras - e a todo o processo pela qual os negros passaram na Luta pelos Direitos Civis dos Negros.



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Espero que tenham gostado de toda essa viagem pela década de 1960 através da criação de alguns dos personagens mais conhecidos do Universo das HQ's de super-heróis da Marvel Comics, mostrando o quanto as Histórias em Quadrinhos podem ser ferramentas bastante importantes para conhecermos mais de nossa própria HISTÓRIA...