sexta-feira, 24 de abril de 2020

Os 50 Anos do Dia da Terra


No último dia 22 foi o Dia da Terra, data que foi instituída pela primeira vez em 22 de Abril de 1970 (ou seja, há dois dias atrás completou-se os 50 anos da sua institucionalização como data a ser lembrada todo ano desde então), pelo ativista e senador norte-americano Gaylord Nelson, como um dia de defesa do planeta.

Visando lembrarmos a instauração desta data - e já que este é um blog de História - vamos, com esse artigo, fazer uma pequena viagem pela História de nosso planetinha azul (planeta tão ímpar que, até o momento, é o único que comporta vida inteligente e complexa em sua face).

Vamos à ela...


PLANETA TERRA: UMA BIOGRAFIA

Nosso Universo tem, aproximadamente, 13,7 bilhões de anos (já que essa é a idade aproximada do "Big Bang", a gigantesca explosão que deu origem ao próprio Universo).

Dentro desse Universo - que é praticamente infinito (já que ainda estamos muito longe de conseguirmos mensurar seu real tamanho) - há várias galáxias, e, dentre elas, está a Via Láctea (cuja idade aproximada é de 13 bilhões de anos; ou seja: ela é bem antiga, tendo surgido, mais ou menos, após "meros" 700 milhões de anos depois do surgimento do próprio Universo).



Já o nosso Sistema Solar é - em termos astronômicos - considerado bem recente, uma vez que tem, aproximadamente, 4 bilhões e 600 milhões de anos. Ele é formado por nossa estrela - o Sol - e por oito planetas que o circundam, sendo eles (em sua ordem de órbita em torno da estrela, do mais próximo para o mais distante): Mercúrio, Vênus, Terra, Marte (os planetas rochosos), Júpiter, Saturno, Urano e Netuno (os planetas gasosos). 

[Um adendo: antes - até 2006 - Plutão era considerado o nono planeta - este, também rochoso - do nosso Sistema Solar, porém, após novos estudos, ele passou a ser considerado somente como um "planetóide", ou um "planeta-anão", pertencente ao chamado "Cinturão de Kuiper", uma região de asteróides que orbitam o nosso Sol, já nas imediações do final do nosso Sistema Solar.]



E, com relação ao nosso planeta, a Terra, ela se formou em conjunto com todos os outros planetas - e com o próprio Sistema Solar - e, assim sendo, tem em torno de 4,5 bilhões de anos, sendo a história de sua formação uma sucessão de desastres e calmarias, como veremos a seguir...



Inicialmente, por volta de 4,5 bilhões de anos atrás, a Terra era muito diferente do que é hoje, já que o nosso planeta estava em sua "infância", sendo, então, uma bola incandescente de lava e fogo, que foi, no decorrer dos bilhões de anos seguintes, esfriando continuamente (processo que ocorre até hoje, motivo pelo qual nosso planeta ainda é incrivelmente quente em seu interior, sendo a crosta terrestre - onde nós vivemos - a parte menos quente dessa massa terrestre total).



Por volta de 4 bilhões de anos atrás, um planetóide errante - batizado como Theia, que tinha o tamanho aproximado de Marte -  colidiu com a Terra. Dessa mega colisão, uma grande massa da proto-Terra foi expelida para o espaço, ficando depois presa à órbita terrestre (devido à gravidade do planeta), fazendo com que essa massa se tornasse - com o passar do tempo - a nossa tão conhecida e importante Lua, satélite natural de nosso planeta (e responsável por coisas como as marés, por exemplo)...



Com o resfriamento que foi ocorrendo - bem como com a formação da Lua (que foi sendo criada aos poucos), a Terra - como a conhecemos - foi aparecendo... Devido a este constante resfriamento, o interior do planeta foi expelindo gases - dentre eles, um pouco de vapor d'água (proveniente do gelo que chegava ao planeta grudado à superfície dos muitos e muitos asteróides que bombardearam a Terra incansavelmente e com bastante facilidade, uma vez que ainda não havia o "escudo" da atmosfera para proteger o planeta em seu início). Essa grande evaporação criou os primeiros oceanos da Terra - que eram bem rasos, e que foram também responsáveis por auxiliar e acelerar o processo de resfriamento terrestre - começando assim uma nova etapa da história do planeta (facilitando o aparecimento das primeiras formas de vida nesses primeiros oceanos, como mostra o fóssil de Trilobita da foto abaixo)...



Isso aconteceu há aproximadamente 3,5 bilhões de anos. A vida como a conhecemos hoje demorou bastante a acontecer. Até mais ou menos 70 milhões de anos atrás, reinaram no planeta os animais mais simples, bem como algas e outros tipos de vegetação marinha, e uma grande gama de invertebrados marinhos. Porém, eles foram extremamente importantes para que a vida de animais mais complexos pudessem aparecer na face da Terra, pois foram estes primeiros que ajudaram a produzir - uma vez que faziam parte da fauna e da flora de então - uma atmosfera mais densa e espessa (primordial para o aparecimento de formas de vida mais aprimoradas).

Daí em diante a vida foi se proliferando com velocidade. Entre 70 e 65 milhões de anos, seres vivos em profusão foram migrando dos mares para a terra, começando com plantas, insetos e anfíbios - estes, evoluindo depois para répteis, que foram se tornando a forma de vida reinante no planeta -  iniciando a hegemonia dos grandes dinossauros no planeta Terra (que acabaram extintos devido à queda de um asteróide na região de Yucatán, no atual território do México, há 65 milhões de anos atrás).



Após muitos anos de restabelecimento, a Terra começou a renascer. E, nesse processo, os mamíferos começaram a se sobressair aos demais, abrindo caminho para o aparecimento dos primatas e dos hominídeos, ocorrido entre 4 e 2 milhões de anos atrás. Após uma extensa evolução, há 200 mil anos atrás aparece no planeta o Homo Sapiens Sapiens, o ser humano moderno...



E, enquanto toda essa vida explodia pelo planeta, ele ia mudando sua configuração, ininterruptamente - coisa que continua a acontecer até hoje - já que o planeta mudou, e muda, sem parar. Há 450 milhões de anos havia um super continente - chamado Pangeia - que iniciou um processo chamado Deriva Continental, onde se sub-dividiu o colossal continente nos continentes hoje existentes - América, Europa, Ásia, África, Oceania (bem como a Antártida).  Esses continentes foram passando por muitas alterações geológicas (como as erupções de vulcões, que criam ilhas e continuam a afastar os continentes). Há 60 milhões de anos atrás a Terra passou por sua última  grande era glacial; colisões foram redesenhando continentes e criaram cadeias de montanhas (como o Himalaia); desertos  foram criados devido mudanças no eixo da Terra; e, em decorrência disso, o clima se alterava (intercalando períodos de muito calor e de extremo frio)...






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Este artigo se prestou a ser uma pequena biografia de nosso PLANETA, coisa um tanto quanto complicada, devido a extensão do próprio assunto, uma vez que ao se analisar a história do planeta, ela acaba se desmembrando em análises astronômicas, geológicas, biológicas e históricas. Sendo assim, espero que tenham gostado do resultado final...

quinta-feira, 23 de abril de 2020

Fatos importantes do "Período Entre-Guerras" (1918-1939)

O "Período Entre-,Guerras" (ou seja: de logo após o término da Primeira Guerra Mundial, em 1918, até o início da Segunda Guerra Mundial, em setembro de 1939), é um momento da História extremamente rico (e não muito analisado). Daí a ideia desse artigo ter-se imposto de maneira tão impetuosa como o foi...


Tudo se iniciou com o "Armistício de Compiègne" (uma floresta da França), assinado em 11 de novembro de 1918 (que instituia um tão almejado cessar-fogo, ou seja, o término da Primeira Guerra Mundial, para às 11:00 h daquele mesmo dia), criando assim uma máxima da numerologia do término da então chamada "Grande Guerra", já que esse término oficial ocorreu na 11° hora, do 11° dia, do 11° mês, de 1918 (somente aqui havendo um "furo" em toda essa numerologia). Porém, devido à gana com que as nações vencedoras - ou seja: a Inglaterra, a França e (mesmo com uma gana anti-alemã menor), os Estados Unidos da América - esse Armistício foi o início de um momento bastante complicado da História (por diversos motivos), conforme poderemos ver melhor pelos tópicos que analisaremos no decorrer deste artigo...


TRATADO DE VERSALHES (1919)


Foi um dos tratados de paz que foi assinado - no ano seguinte ao final da "Grande Guerra", e que tratava, em especial, dos termos finais para com a perdedora Alemanha - que instituiu, dentre outras coisas, a decisão de que a culpa pela guerra era só da Alemanha, que esta deveria pagar custos altíssimos para as nações vencedoras - principalmente a Inglaterra, a França e os EUA - dentre dinheiro, armas e territórios (sendo que era claro que tudo isso visava minar as forças - e minimizar o futuro - da Alemanha). Mas, na realidade, o que o Tratado de Versalhes fez foi humilhar os alemães ao extremo (fazendo com que se criasse alí as fundações para a futura Segunda Guerra Mundial, que ocorreria após 20 anos).

Para conhecer mais sobre esse assunto específico, favor acessar o link abaixo (com um artigo sobre o término da Primeira Guerra Mundial, também do acervo do blog "HISTÉRICA HISTÓRIA"):

Os 100 Anos do término da Primeira Guerra Mundial


OS LOUCOS ANOS 1920


Os chamados "Loucos Anos 1920" foram alguns fatos ocorridos no decorrer desta década tão ímpar da História. Foi nela que ocorreram momentos como a "Lei Seca" (quando a fabricação, o transporte e a venda de Álcool foi proibida em todos os Estados Unidos da América), o aparecimento do Jazz e do Charleston (movimentos culturais da música), o início da liberação feminina (quando elas começaram a trabalhar, fumar em público, ganharam o direito de voto e iniciaram uma revolução sexual que só teria um  capítulo mais ardente já durante a década de 1960), um boom econômico (com o advento de produtos industrializados que acabariam levando a economia norte-americana - e mundial - a um ápice, tais como: o automóvel, os eletrônicos e  equipamentos eletrodomésticos). Foi uma década de deslumbramento e de pura efervescência!!


A QUEDA DA BOLSA DE NOVA YORK (1929)


Após as alegrias dos "Loucos Anos 1920", essa década terminou com o "estouro da bolha" da economia - que ficou conhecida como a "Crise de 1929" (iniciada com a chamada "Quinta-feira Negra", o dia da "Queda da Bolsa de Nova York", dia 24 de Outubro de 1929) - que se iniciou com o ímpeto consumista do pós-guerra (maximizado pela euforia dos "Loucos Anos 1920").

Para conhecer mais sobre esse fato específico, favor acessar o link abaixo (com um artigo sobre esse assunto, também do acervo do blog "HISTÉRICA HISTÓRIA"):



A GRANDE DEPRESSÃO (1930-1939)


Como decorrência da "Queda da Bolsa de Nova York" (de 1929), praticamente toda a década seguinte - os Anos 1930 - foram um momento de depressão econômica (nos Estados Unidos da América, bem como em todo o mundo, em especial na Europa do pós-guerra, que lutava para se levantar e reconstruir-se a contento). Nos EUA, foi uma década de extrema pobreza - com uma luta grande da parte do presidente Franklin D. Roosevelt - e seu plano econômico, intitulado "New Deal" - onde havia filas de desempregados (em  busca de comida e trabalho), muitos fazendeiros perdendo suas terras e a maioria das empresas -  e também bancos - indo à falência. Na Europa, foi um momento de reconstrução, bem como de ascenção da extrema-direita (como veremos a seguir)...


ASCENÇÃO DOS GOVERNOS TOTALITÁRIOS (1922-1939)



[Acima: charge do cartunista Laerte, sobre o Totalitarismo.]


Um dos maiores "efeitos colaterais" do "Período Entre-Guerras" - em especial, decorrente da "Grande Depressão" - foi a ascenção dos chamados "Governos Totalitários" (ou seja: de governos autoritários, comumentemente ditatoriais, de extrema-direita, em sua grande maioria, e de cunho xenófobo e calcados no culto a personalidade de seus líderes). Dentre eles, temos de citar: o Fascismo (de Benito Mussolini, na Itália), iniciado em 1922, o Socialismo Stalinista (de Josef Stalin, na URSS), iniciado em 1924 (sendo este o  único totalitarismo de esquerda, nessa lista), o Nazismo (de Adolf Hitler, na Alemanha), iniciado em 1933, o Salazarismo (de Antônio Salazar, em Portugal), iniciado em 1933, o Franquismo (do generalíssimo Francisco Franco, na Espanha), iniciado em 1939 (depois da "Guerra Civil Espanhola") - bem como outros pelo mundo, até mesmo no Brasil, como foi o caso do Estado Novo (de Getúlio Vargas), que começou em 1937.

Para conhecer mais sobre o fato específico (que foi gerado pelo Totalitarismo), favor acessar o link abaixo (com um artigo contendo uma narrativa - um resumo - sobre a Segunda Guerra Mundial, também parte do acervo do blog "HISTÉRICA HISTÓRIA"):

Uma narrativa da Segunda Guerra Mundial


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Espero que este artigo tenha sido bem elucidativo sobre este assunto, já que se tentou, aqui, focar sobre o período conhecido como "Entre-Guerras" (momento este que, como dito, não costuma ser muito analisado, ao menos não de forma a se apreciá-lo através de suas especificidades), como foi o caso do artigo ora apresentado...

sexta-feira, 17 de abril de 2020

As "Civilizações dos Grandes Rios"


No mapa acima vemos as chamadas "Civilizações dos Grandes Rios", que floresceram durante a Antiguidade. Elas são extremamente importantes, pois são parte integrante da própria criação de nossas atuais sociedades.

Para um melhor entendimento, vai aqui uma legenda:

- Cor MAGENTA: Egito antigo;
- Cor MARROM: Mesopotâmia;
- Cor VERDE: Índia antiga;
- Cor OCRE: China antiga.  

[Um adendo: a região bicolor - VERMELHO e ROXO - no centro do  mapa, é a antiga Palestina, que será analisada num artigo futuro, quando veremos as "Civilizações do Mediterrâneo".]


Agora, logo nos tópicos a seguir, iremos fazer uma explanação sobre cada uma das 4 civilizações citadas mais acima (no mapa):

EGITO ANTIGO:



Às margens do Rio Nilo se desenvolveu a civilização egípcia. E, para tanto, o Nilo foi tão importante no florescimento e no desenvolvimento dessa civilização que é notória a frase - atribuída ao filósofo grego Heródoto (considerado o "Pai da História"): "O Egito é uma dádiva do Nilo!". E foi exatamente isso, já que todos os mais de 3.500 anos de história egípcia aconteceu numa faixa estreita de terra, nas duas margens do extenso Rio Nilo (desde suas nascentes, na África central, o chamado Alto Egito, no território da Núbia - atual Sudão - até o chamado Baixo Egito, na região mais ao norte - no atual território do Egito moderno - terminando no fértil Delta do Nilo, quando ele desemboca no Mar Mediterrâneo).


MESOPOTÂMIA:



Enquanto a civilização egípcia tinha várias cidades em toda a extensão do Nilo, porém com uma unidade imperial chefiada pelo farão, na região conhecida por Mesopotâmia - território que hoje compreende o atual Iraque e partes dos atuais Irã e Síria - deu-se na forma de várias cidades-Estado que eram rivais, mesmo que todas tendo uma cultura mesopotâmica comum. No caso do rio importante a está civilização, na verdade são dois: o Rio Eufrates e o Rio Tigre (advindo daí o próprio nome pela qual a região era conhecida pelos gregos: Mesopotâmia, do grego, "Terra entre rios"). Também era conhecida como "Crescente Fértil" (já que o mapa da região formava o desenho de uma Lua crescente que ia dá Mesopotâmia até quase o Delta do Nilo, que, como o território egípcio, era extremamente fértil devido às enchentes do Tigre e do Eufrates, que irrigavam as terras, fazendo com que grandes povos e cidades fossem criadas na região, tais como: Ur, Uruk e Eriddu- cidades sumérias - Babilônia - cidade babilônica - Nínive - capital do império assírio - tendo tido também os caldeus entre os povos que habitavam a região.


ÍNDIA ANTIGA:


Já na região do subcontinente indiano, no oeste da península da Índia, floresceu, às margens do Rio Indo, a chamada "civilização indiana", muito importante para o desenvolvimento da própria Ásia (a "Civilização da Índia antiga" é tão importante para a Ásia - sendo mesmo uma de suas civilizações mais emblemáticas - como foi a "Civilização da Grécia antiga" para a Europa. Na região foram fundadas cidades bastante importantes, tais como: Mohenjo-Daro e Harappa, sítios arqueológicos muito importantes para conhecermos melhor esta civilização...


CHINA ANTIGA:



No extremo-oriente, às margens do Rio Amarelo (Yang-Tse), nasceu o grande império da China antiga, responsável por muitas inovações tecnológicas, tais como: a descoberta da pólvora, a invenção da bússola, o uso do papel, entre outras... A importância da China antiga não se resume somente a região do sul da Ásia - ou mesmo da própria Ásia, como um todo - mas sim, tem importância para todo o mundo conhecido de então. Essa importância toda se deve a uma soma de fatores, porém, podemos dizer que o principal motivo foi a centralização de poder nas mãos de um imperador forte, o primeiro imperador da China, Qin Shi Huang.


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Resumindo: essas quatro grandes civilizações lançaram as bases civilizatórias da Humanidade, já que foram estas que - ao darem uma ênfase à agricultura - deram subsídios aos povos agrícolas (em detrimento dos povos nômades, que eram o "lugar comum" até aquele momento); além disso, lançaram as bases da própria História (uma vez que criaram - em conjunto e praticamente ao mesmo tempo - a Escrita), com os hieróglifos (no Egito antigo), a escrita cuneiforme (na Mesopotâmia), o sânscrito (na Índia antiga), e os ideogramas (na China antiga)...

Isso, por si só, já é extremamente importante para toda a Humanidade!!

Ou seja, devemos muito a estes povos, mais do que achamos - ou mesmo vislumbramos...

quarta-feira, 8 de abril de 2020

Atenas X Esparta: A "Guerra Fria" que "esquentou" durante o período da Grécia antiga



Nesse artigo iremos fazer uma análise das relações entre as duas principais cidades-Estado da Grécia antiga - Atenas e Esparta - mostrando as suas muitas diferenças, bem como as similaridades culturais que às unem, terminando com as divergências que as levaram a um embate militar (a chamada Guerra do Peloponeso)...


Comumente, quando se apresenta o assunto "Grécia antiga" nas salas de aula, é pela análise dessas duas cidades-Estado que se expõe esse tópico aos alunos, visto que elas são um bom resumo de como foi a vida dos gregos da Antiguidade. O primeiro ponto a se observar é o fato de que - mesmo que essas cidades tivessem muitas coisas em comum (o que dava uma coesão política e - Esta, muito mais!! - cultural), elas eram bastante diferentes em sua essência.


Capitaniando as cidades-Estado gregas estava a imponente cidade de Atenas, que ditava a maioria das regras e tendências da sociedade grega durante a Antiguidade. Quanto a Esparta, ela era o "caso a parte" - uma exceção a regra, já que dava uma ênfase muito maior ao corpo, ao culto a saúde física e corporal - que Atenas (e a maioria das outras cidades gregas, que seguiam seus preceitos), sendo este preceito o de se dar uma maior importância ao culto à mente (com o uso da Filosofia), e à política da oratória (com o uso da Democracia).


Devido a estas diferenças, é também bastante comum fazer uma espécie de comparação - que, logicamente, deve ser analisada guardando-se as devidas proporções - entre estas duas cidades, com a relação entre os Estados Unidos da América (E.U.A.), e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (U.R.S.S.), durante a vigência da Guerra Fria (no século XX), dada a bipolaridade e a luta por hegemonia política e cultural que as suas sociedades instauraram no mundo daquele momento histórico...

Porém, diferentemente do que aconteceu com as duas nações do século XX, as duas cidades-Estado - em sua "guerra-fria" - não ficaram somente no embate ideológico (e no âmbito das ameaças de guerra, sem nunca terem ido "às vias de fato"), mas - isto sim - levaram essas divergências político-culturais para o campo do combate militar (acarretando, assim, grandes problemas às suas respectivas sociedades), como veremos mais adiante...


Isso aconteceu devido à criação de blocos antagônicos (como aconteceu também com os blocos capitalista e socialista, liderados pelos E.U.A. e pela U.R.S.S., respectivamente), sendo que, no caso grego, estes blocos foram: a Liga de Delos (cujo líder era Atenas), e a Liga do Peloponeso (com Esparta na liderança).


Mostrando o que poderia ter acontecido às nações envolvidas na Guerra Fria - caso não tivessem conseguido manter os seus embates meramente no campo das lutas ideológicas - Atenas e Esparta (por terem ido às vias de fato, levando o embate para o campo militar), acabaram por enfraquecerem-se como sociedades, levando as duas ao declínio de suas sociedades (bem como ao declínio da própria Grécia antiga como um todo)...


O que podemos concluir é que, quanto mais se vislumbra a História de forma analítica, mais ela se mostra como efetivamente o é: uma Ciência que existe para que possamos - analisando os fatos históricos da forma mais abrangente possível - aprendermos com os acontecimentos do passado, para que não cometamos, em nosso futuro, os mesmos erros que nossos antepassados cometeram...

E isso, por si só, já denota o tamanho de sua importância para o nosso mundo (e isso ocorrendo cada vez mais, sempre num cenário de curva progressiva)!!...




sábado, 4 de abril de 2020

Vídeo-aula #1: Idade Moderna

Vídeo-aula sobre a Idade Moderna, abordando  assuntos como: o Renascimento, as Reformas e a Contrarreforma, as Monarquias Absolutas e os Grandes Descobrimentos... [Assunto de 7° Ano do Ens. Fundamental II]

[Um adendo: Esta vídeo-aula também está disponível no canal do YouTube "HISTÉRICA HISTÓRIA"]






quarta-feira, 1 de abril de 2020

Algumas grandes epidemias pela qual a humanidade já passou

Por toda a História do mundo várias epidemias e pandemias já ocorreram. Juntamente às guerras e ao aparecimento de grandes civilizações, elas sempre foram fatores que catalizaram transformações de âmbito mundial.

[Um adendo: o símbolo abaixo é o que sinaliza que uma área tem algum tipo de contágio, ou mesmo um lugar onde existam materiais, ou mesmo pessoas, com contágio de alguma doença de grau alto de disseminação, e é conhecido, comumente, como símbolo de "Risco Biológico".]



Neste artigo iremos rever algumas dessas epidemias (sendo estas doenças que atingiram cidades e estados ou províncias), e pandemias (sendo estas as epidemias com abrangência de grandes regiões, como continentes ou mesmo todo o mundo). Vamos a elas...


- Peste de Atenas (430 - 427 a.C.)



Foi uma epidemia que atingiu a Grécia antiga - em especial a região da cidade de Atenas - tendo ocorrido no início das Guerras do Peloponeso (sendo que este surto tirou a vida de mais de 1000 - de um total de 4500 soldados hoplitas atenienses - antes mesmo do início das batalhas), tendo sido uma epidemia de grande mortandade (atingindo bastante a população de mulheres grávidas, aumentando o pânico entre a população). Estudos recentes tentam descobrir qual foi exatamente a doença que acometeu os atenienses, mas, possivelmente, foi um caso de surto de febre tifóide ou mesmo de tifo (sendo que o sarampo, a varíola, ou até a peste bubônica são também alguns possíveis suspeitos). Ainda na Antiguidade, em 166 d.C., outra peste assolou a Europa, dessa vez na Roma antiga, na chamada Peste Antonina.


- Peste Negra (1347 - 1353)



Ocorreu já na Idade Média, no século XIV, e foi uma pandemia que apareceu na Ásia Central - possivelmente vinda da China - e se expandiu por boa parte do mundo de então. Era transmitida pela picada da pulga do rato negro, e veio do Oriente em navios mercantes (nesse caso específico, os navios de comerciantes genoveses). Após se espalhar pela Europa, teve uma taxa de mortalidade extrema - matando entre 1/3 e 2/3 da população europeia (algo como cerca de 50 milhões de pessoas). Mesmo com a Ciência ainda "engatinhando", os médicos tiveram alguns insites inteligentes - como se utilizarem do "isolamento social" visando uma menor disseminação da doença (coisa que, em partes, até conseguiram). Depois do surto essa doença não sumiu de vez, sendo que casos esporádicos dela ainda ocorreram na Europa até o início do século XVIII...


- Gripe Espanhola (1918 - 1919)



Essa pandemia ocorreu no início do século XX e, diferente do que o nome pela qual ela ficou conhecida sugere, ele deve ter se iniciado ou nos Estados Unidos da América, ou mesmo na China, e foi causada por uma mutação do vírus Influenza, sendo os seus sintomas bem parecidos com os de uma gripe comum, porém, via de regra, ela evoluía para problemas respiratórios (se originando, daí, pneumonias devastadoras). Foi bastante disseminada no mundo devido ter aparecido em meio à Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918), facilitando, assim, a sua propagação, ocorrendo em diversas partes do mundo (inclusive no Brasil, onde matou cerca de 35 mil pessoas). Somente países que criaram e mantiveram medidas de "isolamento social" conseguiram ter algum tipo de respaldo contra a pandemia. 


- Ebola (2013 - 2016)



Foi uma pandemia que ocorreu, desde fins do século XX (tendo piorado nos primeiros anos do século XXI), em partes do continente africano. Ela apareceu devido contato de primatas e de humanos com um tipo de morcego da África (que primeiro a transmitiu), e da contaminação via secreções - saliva, sangue, suor, sêmen - de humanos infectados. Também devido às condições pouco satisfatórias de saneamento básico dos africanos, fica bem difícil a erradicação da doença (que alterna períodos de surto e de relaxamento), desde o seu surgimento.


* Outros surtos de doenças:

- Epidemia de Varíola, no Japão (735 - 737);
- Epidemias de Varíola e Sarampo pós "Grandes Descobrimentos", nas Américas (séculos XV e XVI);
- Pandemia de Cólera (no decorrer do século XIX);
- Epidemia de Febre Amarela, em Nova Orleans (em 1853);
- Pandemia da AIDS (da década de 1980 até hoje);
- Pandemia de Sars, na Ásia (2002 - 2004).


E agora, a pandemia do Corona Vírus (o COVID-19), de 2020, cujo epicentro foi a China, disseminando-se rapidamente por todo o mundo. Devido estarmos no decorrer da doença (e de seu surto), ainda é difícil sabermos o quanto ela irá mudar a humanidade - em especial, as relações interpessoais - mas é certo que mudanças ocorrerão...

sexta-feira, 27 de março de 2020

Os maiores serviços secretos do mundo através da História


Durante boa parte do século XX - mais especificamente, no decorrer da Guerra Fria - o mundo foi tomado pela espionagem. Nesse artigo iremos mostrar as mais conhecidas dessas agências. É o que veremos a seguir...

CIA
Foi criada pelo presidente norte-americano Harry Truman, em 1947, logo após a Segunda Guerra Mundial, devido o limiar da própria Guerra Fria. Devido a sua conhecida ineficiência na espionagem pura e simples (sempre teve grande dificuldade em infiltrar agentes na extinta U.R.S.S.), acabou se especializando em derrubar governos em países pelo mundo (como fez no Irã, em 1953, na Guatemala, em 1954, e no Chile, em 1973). Esteve por trás da subida ao poder de várias ditaduras militares na América Latina (como no Brasil, em 1964).



KGB
A agência que era a maior inimiga da CIA durante a Guerra Fria. Sempre foi muito especializada em infiltrar agentes secretos nos E.U.A., bem como em matar os desafetos políticos dos comunistas soviéticos (quase sempre com o uso de venenos como arma, ministrados às vítimas das formas mais mirabolantes possíveis).



MOSSAD
Serviço secreto de Israel, foi criado em 1949 - somente um ano após a criação do estado israelense. Sempre foi altamente treinado em contraespionagem (uma vez que, em decorrência da grande exposição e da grande richa existente contra o estado judeu). Especializou-se em caçar e trazer criminosos nazistas à Israel para serem julgados pelos crimes contra os judeus durante a Segunda Guerra Mundial.


MI-6
O serviço secreto da Inglaterra é o único que foi criado antes da Segunda Guerra Mundia, ainda em 1909, e, talvez por isso mesmo, é o mais experiente nós assuntos de espionagem e contra espionagem, tendo sido o serviço secreto que mais conseguiu infiltrar agentes na extinta U.R.S.S. É o que mais colaborou com a CIA logo após o término da Segunda Guerra...


E no Brasil?

SNI
O Serviço Nacional de Informação é considerado o serviço secreto brasileiro. Foi muito utilizado não em espionagem ou contra espionagem internacional, mas sim em problemas internos, coletando informações sobre os que eram considerados subversivos pela Ditadura Militar. Triste serviço secreto brasileiro...


Espero que tenham gostado dessa viagem pelos serviços secretos do mundo. Até um próximo artigo...