sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Os Vice-Presidentes: quem foram essas figurinhas emblemáticas da História do Brasil?


Desde a Proclamação da República, em 1889, não foram poucas as vezes que o Brasil acabou sendo governado por um Vice-Presidente. Na realidade isso é tão comum - e reincidente - que veio daí a ideia para que este artigo fosse escrito e produzido. Por diversos - e bem distintos - motivos, o Brasil já ficou sob o governo dessa figura emblemática que é a do Vice-Presidente na história política brasileira

Isto posto, aproveito pra demonstrar - na lista abaixo colocada - os Vice-Presidentes que vieram a governar o Brasil (mostrando em que momento histórico eles governaram, quais os motivos e os mecanismos que os levaram à assumir o poder, e como foram os seus respectivos governos). Me utilizei de uma grande exatidão cronológica para um melhor entendimento dos leitores (me utilizando, inclusive, de uma divisão de todo o período republicano em diversas fases), também visando uma melhor compreensão do todo (com o uso desse compartilhamento para tal).



[Um adendo: na Constituição de 1946 ficou decidido que os cargos de Presidente e de Vice-Presidente deveriam ser votados separadamente - coisa que este que vos escreve concorda plenamente - uma vez que é do período pós-Ditadura Militar (na chamada "Segunda Redemocratização", e formalizada na Constituição de 1988), que se decidiu que o Presidente e o Vice-Presidente seriam eleitos em conjunto - como uma espécie de dupla - podendo até serem escolhidos numa coligação de partidos políticos (coisa que só fere a nossa recente e frágil democracia, em minha modesta opinião).]

[Outro adendo: criei uma legenda para um melhor entendimento de como chegaram ao poder e se esta acensão foi de forma legal ou não. Segue, portanto, logo abaixo, a citada legenda...]

LEGENDA:

Nomes escritos em VERMELHO: Vice-Presidente que assumiu o poder de forma ilegal (ou que, de alguma maneira, foi prejudicial a história política brasileira); 

Nomes escritos em VERDE: Vice-Presidente que assumiu o poder de forma legal pela constituição vigente (e que governou com o intuito de completar um mandato presidencial);

Nomes escritos em AZUL: Vice-Presidente que deveria assumir o poder, mas que, de alguma maneira, não conseguiu - ou não pôde - governar (ficando sem assumir a presidência).  



Vamos, portanto, à uma lista dos 12 casos onde os Vice-Presidentes tiveram de assumir (ou ao menos deveriam ter assumido), bem como os momentos históricos em que eles viviam (e de como vieram à governar)... 


República Velha (de 1889 a 1930)

1.º) Marechal Floriano Peixoto - governou entre 1891 e 1894



Foi o Vice-Presidente do marechal Deodoro da Fonseca - o primeiro Presidente da República do Brasil - que renunciou pouco tempo após sua eleição indireta (pelos deputados da constituinte). O marechal Floriano Peixoto teve uma oposição extremamente forte, uma vez que muitos o contestaram, já que, pela Constituição de 1891, ele não poderia assumir (pois o titular do cargo, o Presidente Deodoro da Fonseca, não havia governado pelo prazo mínimo exigido - de 2 anos, a metade do mandato - o que fazia com que uma nova eleição tivesse de ser convocada). Não acatou o que pedia a constituição e foi bastante duro com a oposição ao seu governo, tendo - por isso mesmo - ficado conhecido pela alcunha de "Marechal de Ferro", tendo governado até o final do que seria o mandato total de Deodoro da Fonseca.
   
2.º) Rodrigues Alvesgovernou entre 1902 e 1903



Foi o Vice-Presidente do Presidente Silviano Peixoto, que veio a morrer antes mesmo de sua posse. Diferente de Floriano Peixoto, acatou o que pedia a Constituição de 1891, ou seja, devido o Presidente não ter ficado o tempo mínimo no cargo (que era de 2 anos, ou seja, metade do tempo de mandato), só ficou no poder até a nova eleição ser feita. Um detalhe: ele próprio foi, nas eleições convocadas, eleito e empossado como o novo Presidente da República.

3.º) Nilo Peçanhagovernou entre 1909 e 1910



Foi o Vice-Presidente do Presidente Afonso Pena, que morreu durante seu mandato. Como pedia a Constituição de 1891, foi Presidente somente até completar o mandato do Presidente que havia morrido. 

4.º) Delfim Moreira - governou durante um breve período, em 1919



Foi o Vice-Presidente do Presidente Rodrigues Alves, que havia sido reeleito, e que acabou por morrer logo no início de seu mandato (após contrair a "gripe espanhola"). Como pedia a Constituição de 1891, foi Presidente somente até a nova eleição para um novo Presidente (já que o Presidente havia morrido antes de governar por pelo menos 2 anos, ou seja, a metade de seu mandato).

5.º)  Vital Soares - foi impedido de tomar posse devido a Revolução de 1930



Seria o Vice-Presidente do Presidente eleito Júlio Prestes, que, derrubado do poder, sendo, assim, impedido de tomar posse (devido a ocorrência da Revolução de 1930). 

-.- X -.-

E, com a Revolução de 1930 - e a posterior nova constituição, a Constituição de 1934 - o cargo de Vice-Presidente foi extinto, sendo restabelecido somente com a nova Constituição de 1946 (após a Ditadura do "Estado Novo", de Getúlio Vargas).


Primeira Redemocratização (de 1946 a 1964)


7.º) Café Filho, Carlos Luz e Nereu Ramos - governaram entre 1954 e 1956 




Respectivamente (e na ordem apresentada de nomes e fotos): responsáveis por governar no conturbado período pós-suicídio do Presidente Getúlio Vargas (durante seu mandato como Presidente, dessa vez eleito de forma direta), estão estes três políticos. O primeiro, como Vice-Presidente do Presidente Getúlio Vargas, que se suicidou em 24 de agosto de 1954, é Café Filho (que assumiu o poder de 1954 a 1955, quando se afastou por motivos de saúde); o segundo, como Presidente da Câmara dos Deputados (que é uma espécie de "vice do Vice-Presidente"), é Carlos Luz, que ficou no poder de 8 de novembro de 1955 a 11 de novembro de 1955 (sendo o Presidente que menos tempo ficou no cargo, já que foram somente 4 dias); e o terceiro, como Vice-Presidente eleito pelo Congresso Nacional, é Nereu Ramos, que ficou no cargo de 11 de novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956 (quando tomou posse o novo Presidente eleito pelo voto direto: Juscelino Kubitschek).


8.º) Ranieri Mazzilli João Goulart - governaram entre 1961 e 1964
























Respectivamente (e na ordem apresentada de nomes e fotos): o primeiro, Ranieri Mazzilli, foi empossado no lugar do Vice-Presidente - já que era o Presidente da Câmara dos Deputados (e pelo fato do verdadeiro Vice-Presidente - João Goulart - estar em viagem à China no momento da renúncia do Presidente Jânio Quadros - e de ser muito mal visto em algumas áreas do governo, principalmente pelos militares, que o consideravam um comunista); e o segundo, João Goulart, o próprio Vice-Presidente, que primeiro assumiu como presidente num governo com o sistema Parlamentarista, e, depois de um plebiscito que restabeleceu o sistema Presidencialista, teve seus plenos poderes de volta. Foi, mais adiante, o Presidente que foi derrubado do poder pelos militares, no golpe de Estado de 1964 (e, logo após isso, assumiu - de novo - o Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, durante um pequeno período, antes da posse do primeiro presidente militar, o marechal Castelo Branco).


Ditadura Militar (de 1964 a 1985)


9.º) Pedro Aleixo - impedido de tomar posse devido ao golpe da Linha Dura Militar - 1968/1969 (também chamado de "golpe dentro do golpe")



Era o Vice-Presidente do marechal Artur da Costa e Silva, e deveria ter assumido após a doença - e posterior morte - de Costa e Silva, mas, devido ser um civil em meio à uma linha dura de militares - que alçou ao poder junto com Costa e Silva - foi impedido de assumir (tendo governado, em seu lugar, uma Junta Militar - com representantes dessa mesma linha dura do Exército, da Marinha e da Aeronáutica - de 31 de agosto a 30 de outubro de 1969). Estes mesmos referendaram o nome do general Emílio Garrastazu Médici como novo Presidente da Ditadura Militar.



Segunda Redemocratização (de 1985 a 1994)

10.º) José Sarney governou entre 1985 e 1990



Teve um governo extremamente conturbado, mesmo sendo o primeiro civil a assumir a presidência após a Ditadura Militar (talvez por ter sido integrante da ARENA [Aliança Renovadora Nacional] - o partido da situação, ou seja, dos militares - tendo saído deste último e integrado o MDB [Movimento Democrático Brasileiro]- o partido de oposição aos militares - pouco antes das eleições indiretas que escolheria o primeiro civil a governar o Brasil, depois de 21 anos de ditadura). O Presidente eleito foi Tancredo Neves, sendo que José Sarney estava em sua chapa como Vice-Presidente eleito; porém, o Presidente eleito ficou doente um pouco após a eleição indireta, não tendo, por isso mesmo, conseguido tomar posse - coisa que foi o seu vice que fez por ele - e, pouco mais de um mês após a posse, Tancredo Neves veio a falecer, no dia 21 de abril de 1985. Após esse início complicado, ele tentou focar em resolver os graves problemas econômicos herdados da ditadura, e, para tanto, fez uso de planos econômicos (o Plano Cruzado e o Plano Cruzado II). Porém, não conseguiu chegar a seus objetivos (mas, muito pelo contrário, acabou por jogar a economia brasileira num processo de hiperinflação). Carregou o ranço ditatorial dos militares, censurando filmes nos cinemas, e, por fim, praticamente forçou o Congresso Nacional a aprovar um mandato de 5 anos para ele (coisa que a maioria dos brasileiros era totalmente contra). Teve um dos maiores índices de reprovação da população brasileira para com um de seus governantes (isso em toda a história da república no Brasil). Uma cruel "cria da ditadura", como muitos diziam à época...

11.º) Itamar Franco governou entre 1992 e 1994



Era o Vice-Presidente de Fernando Collor de Mello, que foi o primeiro civil eleito de forma direta após a Ditadura Militar. Tentou acabar com a inflação - nos mesmos moldes de seu antecessor, com planos econômicos, como o Plano Collor, o Plano Verão e o Plano Collor II - mas sem sucesso algum. Também no âmbito da economia, este Presidente foi acusado de corrupção, teve seu processo de "impeachment" decretado e acabou por renunciar quando viu que iria perder mesmo o seu cargo. Foi aí que seu Vice-Presidente, Itamar Franco, assumiu a presidência para terminar o mandato iniciado por Collor, e, tendo se cercado de ministros - bons ou razoáveis - teve um governo que, surpreendentemente, fez o Brasil avançar em algumas áreas (sendo a principal delas, a própria economia, onde seu ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, criou e levou a cabo o chamado Plano Real, que acabou com a hiperinflação, botou a economia brasileira nos trilhos e transformou o Real numa moeda um tanto quanto forte, já que se mantém aí até os nossos dias, tendo isso ajudado a este mesmo ministro da Fazenda a tornar-se, mais adiante, o próximo Presidente da República). Por outro lado, Itamar Franco criou muitas polêmicas, e foi um presidente bastante obtuso e enrolado (para falarmos de uma forma mais simples)...


Pós-redemocratização (de 1994 até nossos dias)

12.º) Michel Temer governa desde 31 de agosto de 2016 (e até nossos dias)



Era o Vice-Presidente da Presidente Dilma Rousseff, desde o seu primeiro mandato (de 2011 a 2014), e que foi acusada de corrupção (durante o seu segundo mandato, iniciado em 2015 e com término previsto para este ano de 2018). Teve seu processo de "impeachment" iniciado e, depois das votações na Câmara dos Deputados e no Senado, acabou tendo o seu "impeachment" decretado, vindo a perder seu cargo, quando entra em cena a figura de seu Vice-Presidente, Michel Temer, que foi acusado por uma grande parcela da população de ter perpetrado uma espécie de "Golpe Branco", já que não fez nada para ajudar a Presidente (mas, muito pelo contrário, fez de tudo ao seu alcance para polemizar o assunto, bipolarizando a população e trazendo-a para o lado dos que apoiavam este "impeachment"), auxiliando e influenciando, assim, na decisão dos deputados e senadores à favor deste "impeachment". Em pouco tempo no poder, já nos mostrou o quão ignóbil pode ser um Vice-Presidente com sede de poder... 


-.- X -.-       

Espero que tenha conseguido, com este artigo, mostrar a todos vocês como a nossa democracia ainda é extremamente nova e ainda bastante frágil, vindo daí esse desfile de Vice-Presidentes que foram - de formas corretas ou nem tanto assim - assumindo os mandatos de seus respectivos Presidentes, deixando a nossa História assim, tão cheia de reviravoltas como ela ainda o é. Infelizmente!!!

sábado, 20 de janeiro de 2018

Indiana Jones e os fatos históricos que se passam durante os quatro filmes da série

É muito difícil que alguém não saiba quem é o personagem cinematográfico da imagem abaixo, não é mesmo?


E, ouvindo a música tema de seus filmes, será que você lembra logo de que filme - ou filmes - ela pertence??

Clique no link abaixo pra ouvir a música tema do personagem Indiana Jones (composta pelo grande John Williams):

https://open.spotify.com/track/2ccCpmwJJkVIQ2Ar1lJ6k3

Bom, tudo o que disse acima remete à uma das mais lembradas e, também, das mais rentáveis sagas lançadas no cinema em todo o século XX (tendo sido escrita, produzida e lançada ainda na década de 1980, sendo que somente o quarto filme foi produzido e lançado mais adiante, já em 2008); foi criada - em dupla - por dois dos mais cultuados diretores/produtores de cinema norte-americanos (e, por conseguinte, dois grandes "monstros" de Hollywood), os gênios George Lucas e Steven Spielberg; e foi pensada para que fosse uma nova forma de fazer um tipo de cinema já bem antigo, que já tinha - há época do lançamento do primeiro filme do nosso Indy - mais de 50 anos: os seriados com grandes heróis cinematográficos (que haviam sido bastante utilizados durante toda as décadas de 1930 e 1940).

Bom, vocês já devem saber que estamos falando da série de filmes para o cinema de Indiana Jones, amada e muito cultuada por muitos cinéfilos apaixonados, e isso ocorre por todo o mundo, já há mais de três décadas. Talvez muito do que este personagem é - para seus fãs de décadas (que assistiram aos filmes em seus lançamentos, como é o caso deste que vos escreve), ou nas muitas e muitas reprises nos canais de filmes - em muito de sua longeva carreira no cinema, se deva ao fato de que suas aventuras são muito bem criadas, e cujos alicerces estão muito bem fincados em fatos históricos bem reais (bem como em teorias arqueológicas e antropológicas já bastante difundidas). É de interesse desse artigo mostrar algumas curiosidades da série de filmes para o cinema de Indiana Jones, sempre tendo em vista mostrar toda a relação entre os fatos mostrados nos filmes do personagem com os fatos históricos reais apresentados nestes mesmos filmes. Vamos a isso, então...



A Saga Cinematográfica

Os filmes de Indiana Jones já fazem parte da vida dos seus fãs cinematográficos desde 1981 (ou seja, há aproximadamente 37 anos). Sendo assim, para uma melhor compreensão dos leitores, segue abaixo uma cronologia de seus filmes (na ordem em que foram lançados), com uma sinopse dos mesmos (para os que, porventura, não os conheçam bem, algo bem difícil de se ocorrer, é bom que se diga):


1.º) Os Caçadores da Arca Perdida - 1981 - Direção de Steven Spielberg


No primeiro filme da série, o professor e arqueólogo Dr. Henry Jones Jr. - ou, mais simplesmente, Indiana Jones - se mete com a busca dos nazistas pela Arca da Aliança (a "Arca Perdida" do título), que era o receptáculo onde eram guardadas algumas das relíquias do início do judaísmo, como por exemplo as próprias tábuas dos Dez Mandamentos, entregues por Deus ao próprio Moisés, no cume do Monte Sinai. No filme, os nazistas estão nessa busca incessante pela arca, pois acreditam que ela tem poderes extraordinários, o que tornaria o exército que a possuísse totalmente imbatível.
  



2.º) Indiana Jones e o Templo da Perdição - 1984 - Direção de Steven Spielberg


No segundo filme da série, o arqueólogo Indiana Jones se envolve com os problemas de uma tribo do interior da Índia que acha que um antigo e temido poder retornou ao Palácio Pankot, cujo governante - um marajá - está se envolvendo com uma antiga seita macabra, os thug. Visando encontrar alguns importantes artefatos, o novo marajá e outros integrantes de seu governo começam a sequestrar crianças - como as que foram retiradas da tribo que Indiana Jones encontra logo nos primeiros momentos do filme - para fazê-las escravas, obrigando-as a escavar algumas cavernas abaixo do complexo de palácios e templos.



3.º) Indiana Jones e a Última Cruzada - 1989 - Direção de Steven Spielberg

No terceiro filme da série, Indiana Jones se envolve com outra busca por um artefato religioso antigo, sendo que dessa vez nosso arqueólogo predileto entrará na busca pelo Santo Graal (o cálice que Jesus Cristo utilizou durante a última ceia). Para tanto, ele terá também de encontrar o maior estudioso sobre o graal, que foi sequestrado pelos nazistas (que, mais uma vez, se encontram à caça de um poderoso artefato religioso); e, pra complicar mais ainda, o grande estudioso do graal é ninguém menos que o pai de Indiana Jones, o Dr. Henry Jones (magistralmente interpretado por Sean Connery).   





4.º) Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal - 2008 - Direção de Steven Spielberg

Depois de um longo "inverno" - já no final da década de 2000 - foi lançado o quarto filme da série. Neste filme, que foi bastante influenciado pela teoria dos "deuses astronautas"  - aquela que diz que os seres mitológicos que vieram dos céus, em várias e várias culturas pelo mundo afora, são, na verdade, seres extraterrestres que nos visitaram em um passado muito remoto - Indiana Jones irá rever vários personagens do primeiro filme (e também conhecer outros que irão fazer parte de sua vida dali para adiante), para que, com eles, consiga levar de volta para uma antiga cidade (no meio da Floresta Amazônica), uma de suas caveiras de cristal.




A cronologia real dos filmes

A cronologia real dos filmes seria da seguinte forma: inicialmente acontecem os eventos do segundo filme - "Indiana Jones e o Templo da Perdição" - cuja história se inicia em 1935, um momento bem conturbado da História, já que estamos vivendo a Grande Depressão (nos Estados Unidos da América), e a Ascensão do Nazismo (na Europa), nos Anos 1930...




Num segundo momento, ocorrem os eventos do primeiro filme - "Os Caçadores da Arca Perdida" - cuja história se inicia por volta de 1937, momento em que ocorre o fortalecimento do Nazismo na Alemanha - com a preparação da anexação dos Sudetos (regiões da Checoslováquia), e da Áustria - bem como também uma maior preparação alemã para a eclosão da Segunda Guerra Mundial.



Num terceiro momento, ocorrem os eventos do terceiro filme - "Indiana Jones e a Última Cruzada" - cuja história se inicia por volta de 1912 (mostrando a infância/adolescência do personagem Indiana Jones), momento em que ocorre o fortalecimento da industrialização nos EUA do início do século XX (com o aparecimento da indústria do automóvel, como a Ford, e seu automóvel, o Modelo T, por exemplo), para depois vermos a caça dos Jones - pai e filho - pelo Santo Graal, tendo como pano de fundo a própria Segunda Guerra Mundial.



E, num quarto e último momento (ao menos por enquanto), ocorrem os eventos do quarto filme - "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal" - cuja história se passa nos Anos 1950 (até mesmo para se explicar o envelhecimento do personagem, ou melhor, do ator que o interpreta, o bom - e, agora, velho -  Harrison Ford), portanto, no momento do pós-guerra, com a disseminação do medo da guerra nuclear (advindo da explosão das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em 1945, e da explosão da primeira bomba atômica soviética, em 1949), e do início ferrenho e bem agressivo da Guerra Fria, e do clima de extrema competição existente entre os norte-americanos e os soviéticos, com a corrida armamentista USA X URSS (sendo estes últimos - os russos - os novos vilões desse filme, tomando o lugar dos nazistas, estes, vilões do 1.º e do 3.º filmes).






Agora, uma notícia de última hora para os cinéfilos de plantão: é bem provável que esta história toda ainda não termine por aqui, uma vez que há rumores (muito bem fundados), de que teremos um novo filme - que está sendo chamado - por enquanto - por muitos meios de comunicação, de Indiana Jones 5 - a ser lançado em 2019 (e de cujo roteiro pouco se sabe ainda)... 

Mas, é muito possível que a história se passe após os fatos ocorridos no último filme da série, "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal", de 2008, e que, sendo assim, ele poderá se passar - "Por que não?" - nos momentos mais duros da Guerra Fria (ou seja, durante os Anos 1960)...

Mas aí já será uma outra história (bem como um novo filme e - "Por que não??" - um novo artigo). É aguardar pra ver...

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Uma pequena reflexão de início de ano...




A explicação pra Diretor de Detran com carteira cassada e Ministra do Trabalho alvo de ações trabalhistas está lááá atrás, na nossa História. Corroborando o que digo envio esse tópico retirado dO Guia da História do Brasil (uma edição especial da revista Aventuras na História). O Brasil é o país da piada pronta há muito tempo. Seria hilário se não fosse tão triste...

sábado, 23 de dezembro de 2017

A história do Natal






Nas mensagens acima vemos votos de um Feliz Natal, algo muito comum nesta época do ano, não é mesmo? Mas, de onde veio essa tradição?? Será, tão somente, da tradição religiosa da Igreja Católica Apostólica Romana???

Bom, como toda festa que é muito antiga - e que tenha um forte cunho religioso, como é o caso - sempre acaba sendo extremamente difícil precisar como é que ela se iniciou, e de que maneira a comemoração do Natal tornou-se o que é hoje. E é exatamente isso que tentaremos fazer neste artigo - tanto para conhecermos o seu princípio, quanto para entendermos muitas de suas tradições!! Vamos a ele, então...

Natal tem em nossos dias os auspícios de ser uma festa católica - já que se trata da festa do nascimento de Jesus Cristo, o filho de Deus que veio à Terra para nos salvar de nossos pecados. Porém, ao analisarmos a gênese dessa festa acabamos por ver que ela é, na realidade, um amálgama de outras festas (e de outras tradições), como poderemos ver nesse artigo.

Isso se deve ao fato de que, como muitas outras religiões, os cristãos se utilizaram de tradições já existentes antes do cristianismo, para assim, facilitar a compreensão dos novos convertidos (em sua maioria, antigos pagãos que faziam parte do enorme território do Império Romano). E, como quando o Natal começou a ser comemorado não se tinha uma real ideia de quando - exatamente - havia nascido Jesus Cristo, esses primeiros cristãos e seus líderes acabaram por estipular algum dia próximo ao do "Solstício de Inverno" (cuja data é lembrada em todo dia 21/12, em todo o hemisfério norte). Devido sua importância no calendário - e na vida de todos (uma vez que era primordial para a agricultura, essencial para esses povos antigos) - já era, desde há muito tempo, um momento de festividades para os próprios romanos, sendo esse período conhecido por estes como as "Saturnais", já sendo, àquela época, uma festa de grande confraternização (e onde até mesmo trocas de presentes eram comuns)...


E, seguindo mais para trás na História, descobrimos que o Natal tem suas reais origens em povos bem mais antigos que os tão civilizados romanos (uma vez que as comemorações do "Solstício de Inverno" já faziam parte dos calendários festivos de povos tão díspares quanto os bárbaros celtas e germânicos, os povos que erigiram as construções de Stonehenge, nas atuais ilhas britânicas, e, até mesmo, por povos indígenas do atual território dos Estados Unidos da América.




Isto feito, pelos romanos - após tornarem-se cristãos - o Natal acabou sendo estipulado como tendo ocorrido numa data próxima à do "Solstício de Inverno", por mera comodidade (bem como pela facilidade que isto trazia na hora da conversão de mais e mais pagãos ao cristianismo)...

E, com o tempo, mais tradições foram sendo criadas, inseridas ou alteradas, com o intuito de tornar o Natal mais aprazível e identificável por estes novos cristãos. E é o que veremos à seguir...


A Árvore de Natal, por exemplo: sua tradição também remonta ao período pagão (ou seja, pré-cristão), uma vez que os povos europeus antigos - essencialmente formado por agricultores - já tinham essa tradição, uma vez que, para eles, ter um pinheiro dentro de casa era considerado muito bom, pois trazia bons agouros para a casa e para toda a família que nela habitava. E, com o tempo, eles foram decorando essas árvores para deixá-las mais aprazível à família e aos que à visitavam (para as festividades do "Solstício de Inverno"). Incluir essa tradição - e ligá-la às novas tradições advindas do Natal - foi só uma questão de tempo...



Já com relação à "grande estrela" do nosso atual Natal, ou seja, ao Papai Noel, este tem sua história ligada em partes à tradição católica, em partes à tradições não tão religiosas assim. Afinal, a figura que deu origem ao "bom velhinho" foi a de um bispo da região da atual Turquia - chamado Nicolau (sendo, depois, canonizado, tornando-se conhecido por "São Nicolau"). Diz a lenda que ele era extremamente bondoso e que, na noite de Natal, ele saía pelas imediações de sua residência episcopal, distribuindo presentes (e mesmo dinheiro), às famílias mais pobres de sua congregação (isso lá nos idos de 280 d.C.). Com o tempo, essa figura foi se metamorfoseando num ser mítico, que morava no Pólo Norte (mais especificamente na região da Lapônia, na atual Finlândia), e que passava o ano todo junto aos seus ajudantes (seus fiéis duendes), que fabricavam muitos e muitos brinquedos, e sendo que estes seriam entregues às crianças do mundo todo na noite de Natal.


E, já com relação à sua indefectível indumentária vermelha, uma das lendas (esta relacionada aos primeiros momentos da Revolução Industrial), diz que seu visual foi criado por uma ainda então pequena empresa que começou a usá-lo como "garoto-propaganda" de seu principal produto no tempo do Natal. Estamos falando da empresa Coca-Cola (criada em 1886), e de seu Papai Noel, que, desde que suas propagandas começaram a ser veiculadas (e repetidas à exaustão, em todos os Natais desde então), acabaram por dar a atual configuração do nosso Papai Noel (com suas roupas vermelhas, sua cara de bonachão e as suas atitudes bondosas). Verdade ou não (já que há controvérsias quanto à essa história), a figura do Papai Noel foi ficando cada vez mais indissolúvel em relação ao Natal.


Agora, com relação à outra das grandes tradições natalinas (esta bem ligada à questão da religião católica), a da montagem de presépios, diz a lenda que o primeiro a montar esta pequena representação de como teria sido o primeiro Natal, foi São Francisco de Assis, que, em 1223, criou uma representação da cena do nascimento de Jesus Cristo (sendo que este primeiro presépio foi, na verdade, um "presépio vivo"). Com o tempo, artesãos de várias localidades foram criando as suas próprias representações, com o uso de imagens - grandes ou pequenas - transformando a criação e a montagem dos presépios em uma arte (e em outra das tradições de Natal).


Espero ter conseguido dar uma nova luz à como foram sendo criadas as tradições de Natal, existentes em nossos dias, ainda mais se tivermos em conta que elas são tão ou mais antigas que o próprio cristianismo...

E, pra não fugirmos às mesmas tradições aqui apresentadas, desejo a todos um Feliz Natal!! E até 2018, com novos artigos e muitas novidades em nosso blog. São estes os sinceros votos deste que vos escreve...

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

A "Era Vargas": os vários governos de Getúlio, em suas quatro fases no poder


Getúlio Dorneles Vargas - ou, simplesmente, Vargas - é a figura mais controversa e rica (do ponto de vista histórico), da história republicana do Brasil. É também a de maior oscilação no tipo de sentimentos que suscita, uma vez que é sempre, ou amado ou odiado, pelo povo.

Sendo assim, devido a essa riqueza toda à que o personagem remete, quero, com este artigo. fazer minha pequena contribuição à sua história, explicando o porque dele ter tido - e ainda ter - essa importância toda em nossa História, tendo, mesmo, batizado o seu extenso período no poder de "Era Vargas". Vamos, portanto, ao artigo...

[Acima: charge do cartunista paulistano Chico Caruso, onde se mostra a "evolução" de Getúlio Vargas, em vários momentos de seu longo período de tempo no poder.]

A Revolução de 1930

Tudo começou com a chamada Revolução de 1930, que, em outubro deste ano, tomou o poder, derrubando, assim, o então presidente - Washington Luís - e terminando com o primeiro momento de nossa república (que, doravante, ficaria conhecida como "República Velha"). Ela foi tramada - e perpetrada - por políticos de estados que não mais queriam compactuar com a chamada "Política do Café com Leite" (quando os presidentes eram eleitos sempre seguindo uma regra tácita de alternância entre candidatos, sendo eles, ora paulistas - já que era o estado produtor do "café" - ora mineiros - uma vez que era o estado pecuarista, abastecendo o país de "leite" e seus derivados). Feita a "revolução" e com o poder tomado, o líder maior da mesma acabou empossado como presidente da República, iniciando-se a "Era Vargas" com o que convencionou-se chamar de "Governo Provisório". É o que apreciaremos à seguir... 


[Acima: uma foto do desenlace final da Revolução de 1930, com Getúlio Vargas posando como líder da "revolução" e rodeado por seus aliados "revolucionários".]

1) Governo Provisório (1930 - 1934)

Este período iniciou-se com a indicação - entre os líderes da Revolução de 1930 - de Getúlio Vargas para ocupar a presidência da República (de forma "provisória", até ser elaborada uma nova constituição, com uma posterior convocação de eleições). Este período do governo de Vargas pode ter sido tudo, menos provisório, uma vez que sua duração foi de quatro anos (mesmo período de tempo dos atuais mandatos presidenciais).

O fato mais importante desse período foi a eclosão da Revolução Constitucionalista de 1932, ocorrida em São Paulo (desde o início, o estado mais avesso à Vargas e o seu governo), onde os paulistas pegaram em armas e lutaram contra o governo federal, exigindo uma nova constituição e eleições presidenciais. Os combates foram ferrenhos, com batalhas nas cercanias de São Paulo, bombardeios a prédios do centro da capital paulista e lutas travadas por cidades do interior do estado. Após ser traído por outros estados que iriam se juntar à sua luta, São Paulo perdeu sua revolução. Porém, acabou sendo o "vencedor moral" do embate, uma vez que sua exigência maior - uma nova constituição - teve de ser acatada por Vargas, que convocou uma constituinte para o ano seguinte - 1933 - sendo que, em 1934, foi promulgada a nova constituição do Brasil.



[Nas imagens anteriores: na primeira, um cartão postal alusivo à morte dos quatro estudantes - Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo - assassinados em 23 de Maio de 1932, cujo fato - bem como a sigla criada a partir de seus nomes: MMDC (esta usada como um símbolo da campanha de alistamento de combatentes para a futura revolução que se avizinhava) - ajudou a desencadear os acontecimentos que levaram à Revolução Constitucionalista de 1932, iniciada em 9 de Julho do mesmo ano; e, na segunda imagem, podemos ver alguns dos revolucionários que se alistaram para lutar por uma nova constituição para o Brasil.]

2) Governo Constitucional (1934 - 1937)

Este período se iniciou com a promulgação da Constituição de 1934, e a posterior eleição de Getúlio Vargas como presidente da República (agora de uma forma, digamos, legal, uma vez que se elegeu pelo voto, mesmo que indireto, algo que estava previsto nessa nova constituição).

O fato mais marcante desse período foi a Intentona Comunista, ocorrida em 1935. Foi, como o nome sugere, uma tentativa de golpe comunista (uma "intentona": uma tentativa frustrada de golpe; na verdade, um nome pejorativo dado depois pelo governo), que foi liderada por Luís Carlos Prestes, então um membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB). E, em última instância, ela acabou servindo como combustível para o sentimento anti-comunista (algo muito comum no período do Entre-Guerras), sentimento este que será muito bem usado na farsa do Plano Cohen (onde supostamente o exército encontrou provas de um plano de golpe de Estado comunista), dando a desculpa que Vargas precisava para que ele próprio desse um golpe de Estado, iniciando a ditadura do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937.  



[Nas imagens acima: na primeira, Getúlio Vargas e deputados constituintes no dia da promulgação da Constituição de 1934; e, na segunda imagem, os movimentos das poucas tropas durante a Intentona Comunista, em 1935.] 

3) Ditadura do "Estado Novo" (1937 - 1945)

Este período principia com a instauração da ditadura do Estado Novo, em novembro de 1937, quando Vargas - que sempre nutriu grande simpatia por governos autoritários, como o de Mussolini, na Itália, e o de Hitler, na Alemanha - criou sua versão tupiniquim de totalitarismo, com a ditadura do Estado Novo. Assim, começaram as perseguições políticas, a censura aos meios de comunicação, as prisões e a tortura da polícia de Felinto Müller, e outras ações repressoras da máquina totalitária federal. 

O fato histórico primordial do período - não só para o governo de Vargas, mas também para a História global - foi a Segunda Guerra Mundial, ocorrida entre 1939 e 1945 (portanto, toda ela está inserida dentro do período de tempo em que vigorou o Estado Novo). E, nesse ponto, era imprescindível a entrada do Brasil na guerra - ao lado dos Aliados; porém, Vargas ficou "em cima do muro" durante bastante tempo, só oficializando a entrada do Brasil no time dos Aliados quando os Estados Unidos da América concedeu empréstimos e tecnologia para a criação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 1941. Ao enviar a Força Expedicionária Brasileira (FEB), para lutar na Segunda Guerra Mundial, Vargas acaba dando um "tiro no pé", cavando a sua própria derrubada do poder (após o término da guerra e o retorno dos pracinhas ao Brasil), afinal eles haviam ido à Europa para derrubar ditaduras e não havia sentido algum continuar vivendo em uma, fazendo com que estes soldados engrossassem o coro dos descontentes, fazendo com que Getúlio Vargas fosse deposto, em 29 de outubro de 1945 (exatamente 15 anos e cinco dias depois de Vargas ter deposto - na Revolução de 1930 - o presidente Washington Luís, em 24 de outubro de 1930). Bem, deposto, sim, mas ainda não de todo afastado do poder (como Vargas logo mostraria). E é isso que veremos a seguir...




[Nas imagens anteriores: na primeira, Getúlio Vargas discursa na instauração da ditadura do Estado Novo; na segunda foto, ao centro, vemos pracinhas da FEB em algum lugar do norte da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial; e, na terceira imagem, a deposição de Getúlio Vargas, em 1945.]

Período "fora" do poder (1945 - 1950)

Mesmo tendo sido deposto, Getúlio Vargas não era uma "carta fora do baralho" na política brasileira, uma vez que, nas eleições que se seguiram à sua deposição (alguns meses após a sua derrubada pelos militares), foi o candidato que ele apoiava - o general Eurico Gaspar Dutra - que venceu as eleições para a presidência da República. E, nas mesmas eleições, também ele foi eleito senador (pelo estado do Rio Grande do Sul). Ou seja, ele havia sido retirado do cargo máximo do Executivo, porém abocanhou o maior dos cargos do Legislativo. Coisa que só uma engenhosa "raposa política" poderia fazer. E, se não bastasse, ainda tinha um imenso apoio popular, que clamava por sua volta à presidência (um movimento chamado de "Queremismo", já que seus membros gritavam e escreviam em suas placas a seguinte mensagem: "Queremos Getúlio!!"). E, como era de se esperar numa situação assim, não demorou muito para os "queremistas" tivessem de volta aquilo que tanto exigiram...
















[Nas imagens acima: na primeira, Getúlio Vargas conversa com seu sucessor, o general Eurico Gaspar Dutra; na segunda foto, ao centro, vemos o ex-presidente em campanha para o Senado, terminando com a sua eleição; na terceira imagem, manifestantes do movimento do "Queremismo"participando de um comício político; e, na quarta imagem, um panfleto anunciando a volta de Getúlio ao poder, que era distribuído, nos comícios, pelos membros do "Queremismo".]

4) Governo democrático-populista (1951 - 1954)

Este período se iniciou com a eleição de Getúlio Vargas para a presidência da República, em 1950 (e dessa vez através do voto direto). Nessa sua volta ao poder (Mas será que ele havia mesmo saído?), Vargas fez um governo bastante populista, centrado na relação entre a sua figura carismática - e extremamente paternalista - e o seu eleitorado.

O fato mais marcante desse período foi o próprio escândalo político de seu governo, ocorrido na reta final de seu mandato. Tudo começou com um atentado político contra o principal desafeto de Vargas - Carlos Lacerda - onde este foi baleado no pé, e onde seu acompanhante, um major da Aeronáutica - Rubem Vaz - foi morto. Com a investigação em andamento, descobriu-se que o chefe da guarda pessoal de Getúlio - Gregório Fortunato (apelidado de "Anjo Negro") - podia estar envolvido no crime (como um dos possíveis mandantes do crime). E isso, obviamente, também atingiu o governo de Getúlio Vargas. Se havia ataques de Lacerda antes, à partir disso os ataques foram ganhando em dramaticidade e em peso político, levando também os setores militares a ficarem contra o seu governo. Após aguentar uma grande pressão por sua renúncia, Vargas começa a dizer que não iria ceder à pressão, que não iria renunciar e que "só morto sairia do Palácio do Catete". Na noite entre 23 e 24 de agosto de 1954, a crise e a pressão por sua renúncia chega ao seu ápice, com movimentação de tropas no entorno do Catete. Encurralado e sem uma saída a contento, Vargas cumpre sua ameaça - no episódio que ficou conhecido como o suicídio de Getúlio Vargas - "saindo da vida para entrar na História" (como dizia em sua "carta-testamento"), quando, por volta das 8:00 h da manhã de 24 de agosto de 1954, desferiu um tiro no próprio peito, à queima roupa, tirando a própria vida. 





[Nas imagens anteriores: na primeira, capa do jornal "Última Hora", com a notícia do suicídio de Getúlio Vargas; na segunda, foto do velório de Vargas; e, na terceira imagem, foto do enterro de Getúlio Vargas, onde podemos ver dois de seus ministros - João Goulart, Ministro do Trabalho, e Tancredo Neves, Ministro da Justiça - acompanhando o féretro, quando este estava sendo levado ao caminhão que o levaria ao aeroporto, para que fosse, assim, trasladado para o Rio Grande do Sul.]


-.- X -.-

Há alguns que dizem ser o maior legado de Getúlio Vargas, o de ter - com seu suicídio - evitado um golpe de Estado que seria perpetrado pelos militares (e isso em 1954, ou seja, 10 anos antes do golpe militar de 1964), opinião defendida pelo próprio Tancredo Neves. Bem ou mal, Getúlio Vargas foi um dos políticos mais influentes (e com o período de tempo no poder mais longevo da história republicana do Brasil). E, como dito no início, você pode até estar na turma dos que o odeiam, ou na turma dos que o amam, porém, de uma coisa não há duvidas: este é um dos personagens de maior riqueza para que se conhecer melhor a história do Brasil de nossos dias. E isso é um fato, e contra fatos, não há argumentos...


[Na imagem a seguir: uma das últimas fotos de Getúlio Vargas em vida.]