quinta-feira, 15 de março de 2018

500 anos de História em 15 obras de arte (1500 - 2000)

Vamos fazer uma viagem por 500 anos de nossa História através de 15 obras da arte ocidental? Bom, é este o intuito desse artigo, que mistura a História com a história da Arte de uma forma, no mínimo, diferente. 

Vamos, portanto, às obras de arte e aos fatos históricos que estas remetem!! Então, embarque nessa...


SÉCULO XVI

1.ª) Monalisa (ou Gioconda) - 1503 - de Leonardo da Vinci


É a obra prima maior do Renascimento italiano durante o século XVI e foi obra do grande Leonardo da Vinci, um gênio italiano desse período, que foi, além de pintor, também inventor e cientista, e foi extremamente influente em seu tempo. É uma das obras de arte mais conhecidas do mundo e também uma das que tem um valor que podemos considerar como incalculável. Está exposta no Museu do Louvre, em Paris. É uma obra cheia de mistérios, pois até hoje se especula quem era a pessoa retratada, se era uma mulher (como o nome pela qual ficou conhecida sugere), se era um homem (conhecido ou não do pintor), ou se era - como conspiram alguns - o próprio Leonardo.

Fatos históricos do período: há várias mudanças acontecendo nesse período (que compreende o início da Idade Moderna), e, dentre eles podemos citar o próprio Renascimento, a Formação das Monarquias Absolutistas Modernas e os Grandes Descobrimentos.

2.ª) Pintura do teto da Capela Sistina - 1512 - de Michelângelo Buonarroti


É uma das grandes obras primas que fazem parte do Renascimento italiano durante o século XVI. Seu autor, o italiano Michelângelo Buonarroti, foi um dos grandes gênios do período renascentista, e também foi, além de pintor, um ótimo escultor, uma vez que é dele esculturas como o "Davi" ou a "Pietá". Neste afresco, que foi pintado dentro das dependências do Vaticano, mais precisamente no teto desta capela (cujo nome "sistina" se deve ao fato de ter sido construída pelo papa Sisto IV, um pouco antes, ainda no século XV), foi um pedido do papa Júlio II (que queria uma pintura que inspirasse os fiéis a conhecer melhor a obra da criação divina).



Fatos históricos do período: dentre as várias mudanças que ocorriam nesse período (que compreende o início da Idade Moderna), podemos citar o próprio Renascimento e um momento-chave que se avizinhava, com o grande rompimento que seria o da Reforma Protestante.


SÉCULO XVII

3.ª) Auto retrato - 1623 - de Peter Paul Rubens


É um dos grandes pintores do século XVII, sendo que o flamenco (hoje em dia seria considerado como um holandês), Peter Paul Rubens foi um dos grandes pintores que lançaram bases do que se tornaria a pintura no período pós-Renascimento, já que o estilo do Romantismo - na pintura - ainda estava muito no início. Era um mestre em pintar tudo o que via, exatamente como se lhe apresentava. Talvez por isso mesmo, fez vários auto retratos (como este que vemos aqui neste artigo).



Fatos históricos do período: já quase chegando em meados da Idade Moderna, o grande fato histórico desse momento é a difusão das ideias do Iluminismo.


4.ª) As Meninas - 1656 - de Diego Velasquez


O pintor espanhol Diego Velásquez é um dos grandes pintores da escola espanhola e foi pródigo em pintar de forma a não somente se captar a imagem, mas também a de fazê-la de uma forma que podemos chamar - no mínimo - de inusitada. O maior exemplo disso é a tela aqui apresentada, onde - numa quase inversão de valores - pode-se considerá-la como que um "estudo de pintura", afinal a tela não nos mostra um retrato comumente feito à época, mas sim o próprio pintor em seu trabalho dentro da realeza espanhola. Dizemos isso pois o pintor aparece na tela (à esquerda dela, frente a própria tela que estava produzindo, cujos retratados aparecem no espelho ao fundo, sendo eles o próprio casal real), dando uma ênfase em modelos que não eram os que primeiramente seriam retratados (como a infanta Margarida, filha do casal, suas damas de companhia e, até mesmo, o cachorro de estimação da real menina), colocando também - de forma magistral - o próprio observador da tela (seja em que tempo for), também como parte da obra (como se estivesse no cômodo real, durante a pintura da tela). Isso é uma mudança de paradigma (e mesmo de foco), levando a arte por caminhos nunca dantes trilhados.



Fatos históricos do período: já passando de meados da Idade Moderna o grande fato histórico é a difusão das ideias do Iluminismo (que cada vez mais trazem respostas do mundo através do prisma da Ciência, e se afastando, mais e mais, da tão soberana - durante a Idade Média - Religião).


SÉCULO XVIII

5.ª) Miss Bowles com seu cão - 1775 - de Sir Joshua Reynolds


O pintor inglês Sir Joshua Reynolds é um dos grandes pintores da escola inglesa, no século XVIII, e era extremamente profissional (mesmo que os temas de suas telas fossem um tanto quanto simples, já que era um pintor de retratos, tema que era considerado como que sem muitas dificuldades quanto a sua realização). Porém, Reynolds tinha uma técnica toda sua, e esta consistia em conquistar seu modelo antes da tela ser pintada (coisa que ele levou às últimas consequências, com a menina miss Bowles, já que ele visitou sua modelo algumas vezes - para conquistar sua confiança - fazendo com que, ao posar para ele, não houvesse nada que pudesse atrapalhar a cena com a modelo de seu quadro). Algo simples, porém, para a época, muito inovador.



Fatos históricos do período: já quase no final da Idade Moderna o grande fato histórico é o princípio da Revolução Industrialna Inglaterra (e que cada vez mais mudaria o mundo, inclusive seria uma grande revolução também no âmbito das Artes).

6.ª) A Morte de Marat - 1793 - de Jacques-Louis David


O pintor francês Jacques-Louis David é um dos grandes pintores da escola francesa de pintores de cenas épicas do final do século XVIII, e pintou muitos quadros cujos temas eram personagens ou cenas da Revolução Francesa, tornando-se um especialista nesse tipo de pintura (vindo a influenciar muitos pintores pelo mundo, inclusive o pintor Pedro Américo, o pintor do célebre quadro "Independência ou Morte", que se presta a ser um registro do Grito do Ipiranga, momento em que Dom Pedro torna o Brasil independente de Portugal, em 7 de setembro de 1822).


Fatos históricos do período: já adentrando a Idade Contemporânea o grande fato histórico - e que é o marco inicial da própria Idade Contemporânea - é a Revolução Francesa (e todas as mudanças que advieram dela). 


SÉCULO XIX

7.ª) A Liberdade guiando o povo - 1830 - de Eugène Delacroix


Seguindo a linha de seu antecessor David, o pintor francês Eugène Delacroix também se especializou como um dos grandes pintores da escola francesa de cenas épicas, seguindo, pelo decorrer do século XIX, com esta vertente da pintura. Acabou sendo o grande pintor de temas revolucionários, como a Revolução Liberal de 1830, tornando-se um dos grandes especialistas neste tema. Era extremamente devotado ao seu ofício, fazendo com que composições difíceis ficassem bastante simples à compreensão de seu público, sendo, por isso mesmo, muito lembrado pelas suas belíssimas cenas épicas.



Fatos históricos do período: já adentrando o século XIX, o grande fato histórico são as ondas revolucionárias - cuja continuidade se dá com a Revolução Liberal de 1830 (já que ela é considerada a "segunda onda", uma vez que a Revolução de 1820 é a "primeira onda", e a próxima delas, a Revolução de 1840, foi a "terceira onda"). 

8.ª) O Moinho de La Galette - 1876 - de Pierre-Auguste Renoir


Também um pintor francês, Pierre-Auguste Renoir foi um dos grandes nomes da pintura do século XIX. Produziu muito durante sua longa carreira artística e foi um dos mentores e ícones do Impressionismo, um dos primeiros movimentos artísticos bem estruturados da história da Arte. Era estupendo na forma como dava suas pinceladas e pode-se dizer que foi uma estrela das artes em seu tempo, tornando-se uma celebridade ainda em vida (e muito mais após sua morte).


Fatos históricos do período: o fato histórico principal desse período remete ao próprio tema do quadro, à Revolução Industrial (que já havia entrado em sua segunda etapa, a chamada "Segunda Revolução Industrial", a da energia elétrica, e estava se expandindo a outros países europeus, além da Inglaterra). Há também o fato de haver acontecido na Europa - havia meros cinco anos - a Unificação da Itália e a Unificação da Alemanha, ambas ocorridas em 1871. 

9.ª) A Estação de Trem de Saint Lazare - 1877 - de Claude Monet


Outro pintor francês, o também - e mais célebre ainda (tendo mesmo batizado o movimento impressionista), Claude Monet foi um dos grandes nomes da pintura no século XIX. Produziu bastante em sua longa vida (viveu até os 86 anos), e ficou conhecido por seus estudos extremamente detalhados, em repetidas pinturas da mesma cena - porém em diversos momentos do dia, fazendo com que os resultados fossem diferentes, já que, para ele, era a luz que mais influenciaria a pintura. Foi um dos artistas que mais influenciaram as revoluções artísticas que estavam porvir (em especial as que aconteceriam já no século XX). 

Fatos históricos do período: o fato histórico principal desse período remete ao próprio tema do quadro, à Revolução Industrial (que já havia entrado em sua segunda etapa, a chamada "Segunda Revolução Industrial", a da energia elétrica), bem como com uma expansão das estradas de ferro pelo mundo (esta ainda um efeito da "Primeira Revolução Industrial", a da energia à vapor).

10.ª) O quarto do artista em Arles - 1889 - de Vincent van Gogh


O pintor holandês Vincent van Gogh foi, em sua curta vida - já que morreu com 37 anos - pouco reconhecido por suas pinturas, tendo dificuldades em vender suas telas, levando a problemas financeiros constantes e passou seus últimos dias doente e na penúria. Porém, quando o século XX chegou - cheio de gana por novas ideias e novas formas de ver o mundo - os artistas acabaram resgatando as obras do holandês (que era pouco conhecido até mesmo na Holanda, tendo, porém, um pouco de reconhecimento somente na agitada Paris).


Fatos históricos do período: o fato histórico principal desse período remete, também, à Revolução Industrial (que já estava quase entrando em sua terceira etapa, a chamada "Terceira Revolução Industrial", a da energia petrolífera), bem como com a invenção dos primeiros automóveis que vão ocorrendo pelo mundo (fazendo com que a Indústria mostrasse que sua revolução era algo contínuo e permanente).  


SÉCULO XX

11.ª) Harmonia em Vermelho - 1908 - de Henri Matisse


O pintor francês Henri Matisse foi um dos grandes pintores do século XX, e era também gravurista, desenhista e escultor. Era um mestre no uso da cor em toda a sua plenitude, usando muito seus dotes de desenhista em suas telas.



Fatos históricos do período: o fato histórico principal desse período remete ao Imperialismo, em fins do século XIX e início do século XX, bem como a sua decorrência imediata - que foi a corrida armamentista conhecida como "Paz Armada" - e também sua decorrência mais a médio prazo - que acabou por ser a própria Primeira Guerra Mundial (que começaria dali a meros 6 anos).  

12.ª) Abaporu - 1928 - de Tarsila do Amaral


A pintora brasileira Tarsila do Amaral é um dos ícones do Modernismo brasileiro, e esta tela - posterior a "Semana de Arte Moderna de 1922", que, inclusive, ela não chegou a participar - é de um momento em que a pintora já havia entrado pra turma dos modernistas, tendo o seu grande affair com Oswald de Andrade (para quem fez esta tela), e que acabou sendo a imagem pictórica do Movimento Antropofágico de Oswald).



Fatos históricos do período: estamos aqui chegando ao momento-chave do século XX, onde, no ano seguinte, ocorreria Queda da Bolsa de Nova York (em 1929), que jogaria a democracia ocidental e o capitalismo em sua primeira crise - que, a curto prazo, levaria o mundo à uma guinada para o Totalitarismo (com a ascensão do Fascismo, na Itália, e do Nazismo, na Alemanha).  

13.ª) A Persistência da Memória - 1931 - de Salvador Dalí


O pintor espanhol Salvador Dalí foi o "grande papa" do Surrealismo, e criou algumas telas em que constavam tanto uma grande beleza onírica, acrescida de cenas bizarras e quase sobrenaturais. Foi uma estrela da pintura ainda em vida e era figura presente nas revistas e jornais (devido suas excentricidades, tanto as artísticas, quanto as pessoais).

Fatos históricos do período: momento em que o mundo começava a passar pela Grande Depressão dos Anos 1930 (principalmente nos Estados Unidos da América), bem como a ascensão do Totalitarismo (em muitos países da Europa, inclusive na Espanha, terra de Dalí).   

14.ª) Guernica - 1937 - de Pablo Picasso


O pintor espanhol Pablo Picasso foi um dos criadores do Cubismo e foi uma grande estrela da pintura em boa parte do século XX. Sua técnica de pintura - que remete às pinturas rupestres - e outros elementos pictóricos (tais como as máscaras tribais africanas). Foi um dos grandes boêmios frequentadores dos bares do bairro de Montmartre, em Paris, nos Anos 1920, e foi uma estrela das artes sempre em ascensão.    


Fatos históricos do período: o momento principal tem a ver com o tema do própria tela, já que ela mostra o bombardeio da cidade de Guernica, feito pela Força Aérea Alemã (que estava apoiando o exército do general Franco na Guerra Civil Espanhola), sendo que esta acabou sendo uma espécie de ensaio para a Força Aérea Alemã - a famosa Luftwafle - para os bombardeios da Segunda Guerra Mundial (em especial, os bombardeios à cidade de Londres, na Inglaterra). 

15.ª) Convergência - 1952 - de Jackson Pollock


O pintor norte-americano Jackson Pollock foi o criador de uma nova forma de pintura (onde ele lançava as tintas com o pincel à uma distância considerável da tela, fazendo com que a tinta "explodisse" contra sua superfície), lançando as bases do Expressionismo Abstrato.  



Fatos históricos do período: momento em que o mundo passa pelo início mais contundente da Guerra Fria (e do embate E.U.A. X U.R.S.S. / Capitalismo X Socialismo), que levaria cada vez mais o mundo à corrida armamentista nuclear.   

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Espero que tenham gostado desse "passeio" por quase 500 anos de História através da análise dessas 15 telas de pintura (e de seus 15 famosos pintores), numa mistura bem legal com a história da Arte...

sábado, 3 de março de 2018

História das grandes religiões I: Hinduísmo

Contar as histórias de religiões nem sempre é fácil. Afinal elas são quase tão antigas quanto o próprio ser humano. E é o que faremos nessa série de artigos (ao todo serão 5 artigos), da História das Religiões, começando por este, que falará sobre o Hinduísmo (I), e, continuando, com o Judaísmo (II), o Cristianismo (III), o Budismo (IV), e o Islamismo (V).

[Abaixo: ilustração com alguns dos milhares de deuses que fazem parte do panteão do Hinduísmo.]  



Então, faremos da seguinte forma: contaremos um pouco sobre como e onde nasceu o Hinduísmo, mostrando também um pouco de sua filosofia e mitologia (que, como outras religiões do Oriente, normalmente caminham juntas e de "mãos dadas"), e por fim, mostraremos alguns dos seus deuses mais importantes. Com essa colocação, teremos agora um breve resumo da história do Hinduísmo. Vamos a ela, então...




[Acima, na ordem apresentada: Cerimônia com os chamados 'homens-santos' do Hinduísmo, um casamento hindu e, por fim, um banho de purificação nas águas do rio Ganges.]


Breve História do Hinduísmo

O Hinduísmo é uma das mais antigas religiões que ainda são professadas até os nossos dias. Difícil é precisar a data que a mesma se iniciou (coisa comum à maioria das religiões). Mas é considerado - por diversos estudiosos - que o Hinduísmo existe desde - pelo menos - 2.000 a.C., sendo esta a data mais aceitável. E essa religião nasceu no território que hoje compreende os países da Índia e do Paquistão. É uma das religiões politeístas remanescentes dos tempos da Antiguidade, tem como um de seus princípios básicos a reencarnação (onde os humanos, ao morrerem, reencarnariam como outro humano, como um animal, ou mesmo um vegetal; tudo depende de como você viveu sua vida humana); tem vários livros sagrados (e não somente um, como a Bíblia para os cristãos, ou a Torá para os judeus, ou mesmo o Alcorão para os muçulmanos), e dentre eles estão: os quatro livros do Vedas, o Mahabharata (o maior poema do mundo, que conta as aventuras de Krishna), e, dentro deste último, o Bhagavad Guita (um código de conduta dos hindus, o dharma). Outra coisa que nos deixa abismados é o tamanho do panteão da religião hindu, com milhares e milhares de deuses, semideuses, gênios, ninfas e demônios.

[Abaixo: uma lista ilustrada com alguns dos deuses do imensurável panteão do Hinduísmo.]

  
À seguir: iremos fazer uma pequena análise de alguns dos principais deuses do Hinduísmo...


Alguns Deuses do Hinduísmo


Brahma: é um dos maiores deuses hindus e faz parte da trindade master dos deuses do Hinduísmo (junto com Shiva e Vishnu). É o criador do Universo (ou melhor, dos Universos, uma vez que, para os hindus, a História é cíclica, e os universos acabam (e renascem num novo universo), numa sucessão de destruição e criação ininterruptas.



Shiva: é mais um dos grandes deuses hindus e ele também é parte integrante daquela trindade master dos maiores deuses do Hinduísmo (junto com Brahma Vishnu). Ele representa o poder de destruição no Universo. E, já que numa história cíclica - como é a História para os hindus - destruição e criação são como que "dois lados da mesma moeda", ele é um dos deuses mais venerados e respeitados da Índia, tendo muitos templos em sua homenagem.



Vishnu: é outro dos importantes e populares deuses hindus e também faz parte da trindade master dos deuses do Hinduísmo (e, de novo, junto com Shiva Brahma). Ele é o responsável por conservar, guardar e proteger o Universo e toda a sua ordem cósmica. Quando vem ao mundo dos mortais, assume várias formas (conhecidas como avatares), para se comunicar com os humanos.



Ganesh: é filho de Shiva e é representado como um garoto com cabeça de elefante. É muito comum na Índia que casas e templos sejam ornamentados com a figura deste deus, já que ele é considerado como uma espécie removedor de obstáculos. E é também fonte de prosperidade e de riquezas.



Agni: é o responsável pela conexão entre os seres humanos e os deuses, sendo, portanto, o mensageiro dos deuses. Alguns relatos dizem que ele é o filho mais velho de Brahma e sua chama é apagada e acesa novamente, dia após dia.



Hanuman: é um deus super poderoso que tem a cara de um macaco. Ele representa - para toda a humanidade - a devoção pura, bem como também a mente humana e a rapidez do pensamento.



Rama: é um deus que é referência de boa conduta e de ética, sendo também um exemplo de bom administrador e de um ser fraterno. Em suma, ele representa a excelência das coisas e de tudo.



Kali: é a esposa de Shiva e também é considerada a fonte de tudo (bem como dos seres humanos). Por outro lado, é também a deusa da morte, sendo representada sempre manchada de sangue e com cobras e crânios humanos pendurados no pescoço. É bastante venerada pelos hindus.



Krishna: ele é o deus do amor dos hindus, seu nome significa "o todo atraente" e representa também o conceito de verdade absoluta. Sabe tudo o que já aconteceu, o que está acontecendo e o que ainda irá acontecer, bem como possui a misericórdia infinita.



Durga: é uma deusa guerreira, uma grande caçadora de demônios e está sempre cavalgando um tigre ou um leão. Tem de 12 a 18 braços (dependendo de qual região vem a sua representação artística), e, em cada uma das mãos, traz uma arma (cada uma delas dada por um dos deuses do Hinduísmo).


Algumas curiosidades do Hinduísmo 

* A vaca realmente é considerada um animal quase santo pelo Hinduísmo, não podendo ser desrespeitada de forma alguma. Elas são consideradas mais puras que os brâmanes (a mais alta casta da sociedade hindu). Tudo isso se deve primeiro ao fato de que alguns deuses vem à Terra na forma deste animal, e, em segundo, devido a noção de reencarnação (afinal, se comermos a carne de uma vaca, podemos estar comendo a carne de um de nossos ancestrais).

* Como os gregos antigos (cujos deuses moravam no topo do Monte Olimpo, a maior montanha da Grécia), os hindus - e o seu Hinduísmo - também achavam que seus milhares de deuses moravam no topo do Monte Meru (uma montanha próxima ao Monte Everest - a montanha mais alta da Terra - que fica na Cordilheira do Himalaia).

* O deus Shiva tem três olhos, sendo que os dois que ficam nas órbitas normais (como os olhos dos humanos), representam o Sol e a Lua. Já o terceiro olho fica na testa e simboliza a sabedoria.

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Espero que tenham gostado dessa breve História do Hinduísmo. E aguardem para mais adiante a continuação da série de História das Religiões (a número II será sobre a História do Judaísmo). Até lá, então...

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Os Vice-Presidentes: quem foram essas figurinhas emblemáticas da História do Brasil?


Desde a Proclamação da República, em 1889, não foram poucas as vezes que o Brasil acabou sendo governado por um Vice-Presidente. Na realidade isso é tão comum - e reincidente - que veio daí a ideia para que este artigo fosse escrito e produzido. Por diversos - e bem distintos - motivos, o Brasil já ficou sob o governo dessa figura emblemática que é a do Vice-Presidente na história política brasileira

Isto posto, aproveito pra demonstrar - na lista abaixo colocada - os Vice-Presidentes que vieram a governar o Brasil (mostrando em que momento histórico eles governaram, quais os motivos e os mecanismos que os levaram à assumir o poder, e como foram os seus respectivos governos). Me utilizei de uma grande exatidão cronológica para um melhor entendimento dos leitores (me utilizando, inclusive, de uma divisão de todo o período republicano em diversas fases), também visando uma melhor compreensão do todo (com o uso desse compartilhamento para tal).



[Um adendo: na Constituição de 1946 ficou decidido que os cargos de Presidente e de Vice-Presidente deveriam ser votados separadamente - coisa que este que vos escreve concorda plenamente - uma vez que é do período pós-Ditadura Militar (na chamada "Segunda Redemocratização", e formalizada na Constituição de 1988), que se decidiu que o Presidente e o Vice-Presidente seriam eleitos em conjunto - como uma espécie de dupla - podendo até serem escolhidos numa coligação de partidos políticos (coisa que só fere a nossa recente e frágil democracia, em minha modesta opinião).]

[Outro adendo: criei uma legenda para um melhor entendimento de como chegaram ao poder e se esta acensão foi de forma legal ou não. Segue, portanto, logo abaixo, a citada legenda...]

LEGENDA:

Nomes escritos em VERMELHO: Vice-Presidente que assumiu o poder de forma ilegal (ou que, de alguma maneira, foi prejudicial a história política brasileira); 

Nomes escritos em VERDE: Vice-Presidente que assumiu o poder de forma legal pela constituição vigente (e que governou com o intuito de completar um mandato presidencial);

Nomes escritos em AZUL: Vice-Presidente que deveria assumir o poder, mas que, de alguma maneira, não conseguiu - ou não pôde - governar (ficando sem assumir a presidência).  



Vamos, portanto, à uma lista dos 12 casos onde os Vice-Presidentes tiveram de assumir (ou ao menos deveriam ter assumido), bem como os momentos históricos em que eles viviam (e de como vieram à governar)... 


República Velha (de 1889 a 1930)

1.º) Marechal Floriano Peixoto - governou entre 1891 e 1894



Foi o Vice-Presidente do marechal Deodoro da Fonseca - o primeiro Presidente da República do Brasil - que renunciou pouco tempo após sua eleição indireta (pelos deputados da constituinte). O marechal Floriano Peixoto teve uma oposição extremamente forte, uma vez que muitos o contestaram, já que, pela Constituição de 1891, ele não poderia assumir (pois o titular do cargo, o Presidente Deodoro da Fonseca, não havia governado pelo prazo mínimo exigido - de 2 anos, a metade do mandato - o que fazia com que uma nova eleição tivesse de ser convocada). Não acatou o que pedia a constituição e foi bastante duro com a oposição ao seu governo, tendo - por isso mesmo - ficado conhecido pela alcunha de "Marechal de Ferro", tendo governado até o final do que seria o mandato total de Deodoro da Fonseca.
   
2.º) Rodrigues Alvesgovernou entre 1902 e 1903



Foi o Vice-Presidente do Presidente Silviano Peixoto, que veio a morrer antes mesmo de sua posse. Diferente de Floriano Peixoto, acatou o que pedia a Constituição de 1891, ou seja, devido o Presidente não ter ficado o tempo mínimo no cargo (que era de 2 anos, ou seja, metade do tempo de mandato), só ficou no poder até a nova eleição ser feita. Um detalhe: ele próprio foi, nas eleições convocadas, eleito e empossado como o novo Presidente da República.

3.º) Nilo Peçanhagovernou entre 1909 e 1910



Foi o Vice-Presidente do Presidente Afonso Pena, que morreu durante seu mandato. Como pedia a Constituição de 1891, foi Presidente somente até completar o mandato do Presidente que havia morrido. 

4.º) Delfim Moreira - governou durante um breve período, em 1919



Foi o Vice-Presidente do Presidente Rodrigues Alves, que havia sido reeleito, e que acabou por morrer logo no início de seu mandato (após contrair a "gripe espanhola"). Como pedia a Constituição de 1891, foi Presidente somente até a nova eleição para um novo Presidente (já que o Presidente havia morrido antes de governar por pelo menos 2 anos, ou seja, a metade de seu mandato).

5.º)  Vital Soares - foi impedido de tomar posse devido a Revolução de 1930



Seria o Vice-Presidente do Presidente eleito Júlio Prestes, que, derrubado do poder, sendo, assim, impedido de tomar posse (devido a ocorrência da Revolução de 1930). 

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E, com a Revolução de 1930 - e a posterior nova constituição, a Constituição de 1934 - o cargo de Vice-Presidente foi extinto, sendo restabelecido somente com a nova Constituição de 1946 (após a Ditadura do "Estado Novo", de Getúlio Vargas).


Primeira Redemocratização (de 1946 a 1964)


7.º) Café Filho, Carlos Luz e Nereu Ramos - governaram entre 1954 e 1956 




Respectivamente (e na ordem apresentada de nomes e fotos): responsáveis por governar no conturbado período pós-suicídio do Presidente Getúlio Vargas (durante seu mandato como Presidente, dessa vez eleito de forma direta), estão estes três políticos. O primeiro, como Vice-Presidente do Presidente Getúlio Vargas, que se suicidou em 24 de agosto de 1954, é Café Filho (que assumiu o poder de 1954 a 1955, quando se afastou por motivos de saúde); o segundo, como Presidente da Câmara dos Deputados (que é uma espécie de "vice do Vice-Presidente"), é Carlos Luz, que ficou no poder de 8 de novembro de 1955 a 11 de novembro de 1955 (sendo o Presidente que menos tempo ficou no cargo, já que foram somente 4 dias); e o terceiro, como Vice-Presidente eleito pelo Congresso Nacional, é Nereu Ramos, que ficou no cargo de 11 de novembro de 1955 a 31 de janeiro de 1956 (quando tomou posse o novo Presidente eleito pelo voto direto: Juscelino Kubitschek).


8.º) Ranieri Mazzilli João Goulart - governaram entre 1961 e 1964
























Respectivamente (e na ordem apresentada de nomes e fotos): o primeiro, Ranieri Mazzilli, foi empossado no lugar do Vice-Presidente - já que era o Presidente da Câmara dos Deputados (e pelo fato do verdadeiro Vice-Presidente - João Goulart - estar em viagem à China no momento da renúncia do Presidente Jânio Quadros - e de ser muito mal visto em algumas áreas do governo, principalmente pelos militares, que o consideravam um comunista); e o segundo, João Goulart, o próprio Vice-Presidente, que primeiro assumiu como presidente num governo com o sistema Parlamentarista, e, depois de um plebiscito que restabeleceu o sistema Presidencialista, teve seus plenos poderes de volta. Foi, mais adiante, o Presidente que foi derrubado do poder pelos militares, no golpe de Estado de 1964 (e, logo após isso, assumiu - de novo - o Presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli, durante um pequeno período, antes da posse do primeiro presidente militar, o marechal Castelo Branco).


Ditadura Militar (de 1964 a 1985)


9.º) Pedro Aleixo - impedido de tomar posse devido ao golpe da Linha Dura Militar - 1968/1969 (também chamado de "golpe dentro do golpe")



Era o Vice-Presidente do marechal Artur da Costa e Silva, e deveria ter assumido após a doença - e posterior morte - de Costa e Silva, mas, devido ser um civil em meio à uma linha dura de militares - que alçou ao poder junto com Costa e Silva - foi impedido de assumir (tendo governado, em seu lugar, uma Junta Militar - com representantes dessa mesma linha dura do Exército, da Marinha e da Aeronáutica - de 31 de agosto a 30 de outubro de 1969). Estes mesmos referendaram o nome do general Emílio Garrastazu Médici como novo Presidente da Ditadura Militar.



Segunda Redemocratização (de 1985 a 1994)

10.º) José Sarney governou entre 1985 e 1990



Teve um governo extremamente conturbado, mesmo sendo o primeiro civil a assumir a presidência após a Ditadura Militar (talvez por ter sido integrante da ARENA [Aliança Renovadora Nacional] - o partido da situação, ou seja, dos militares - tendo saído deste último e integrado o MDB [Movimento Democrático Brasileiro]- o partido de oposição aos militares - pouco antes das eleições indiretas que escolheria o primeiro civil a governar o Brasil, depois de 21 anos de ditadura). O Presidente eleito foi Tancredo Neves, sendo que José Sarney estava em sua chapa como Vice-Presidente eleito; porém, o Presidente eleito ficou doente um pouco após a eleição indireta, não tendo, por isso mesmo, conseguido tomar posse - coisa que foi o seu vice que fez por ele - e, pouco mais de um mês após a posse, Tancredo Neves veio a falecer, no dia 21 de abril de 1985. Após esse início complicado, ele tentou focar em resolver os graves problemas econômicos herdados da ditadura, e, para tanto, fez uso de planos econômicos (o Plano Cruzado e o Plano Cruzado II). Porém, não conseguiu chegar a seus objetivos (mas, muito pelo contrário, acabou por jogar a economia brasileira num processo de hiperinflação). Carregou o ranço ditatorial dos militares, censurando filmes nos cinemas, e, por fim, praticamente forçou o Congresso Nacional a aprovar um mandato de 5 anos para ele (coisa que a maioria dos brasileiros era totalmente contra). Teve um dos maiores índices de reprovação da população brasileira para com um de seus governantes (isso em toda a história da república no Brasil). Uma cruel "cria da ditadura", como muitos diziam à época...

11.º) Itamar Franco governou entre 1992 e 1994



Era o Vice-Presidente de Fernando Collor de Mello, que foi o primeiro civil eleito de forma direta após a Ditadura Militar. Tentou acabar com a inflação - nos mesmos moldes de seu antecessor, com planos econômicos, como o Plano Collor, o Plano Verão e o Plano Collor II - mas sem sucesso algum. Também no âmbito da economia, este Presidente foi acusado de corrupção, teve seu processo de "impeachment" decretado e acabou por renunciar quando viu que iria perder mesmo o seu cargo. Foi aí que seu Vice-Presidente, Itamar Franco, assumiu a presidência para terminar o mandato iniciado por Collor, e, tendo se cercado de ministros - bons ou razoáveis - teve um governo que, surpreendentemente, fez o Brasil avançar em algumas áreas (sendo a principal delas, a própria economia, onde seu ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, criou e levou a cabo o chamado Plano Real, que acabou com a hiperinflação, botou a economia brasileira nos trilhos e transformou o Real numa moeda um tanto quanto forte, já que se mantém aí até os nossos dias, tendo isso ajudado a este mesmo ministro da Fazenda a tornar-se, mais adiante, o próximo Presidente da República). Por outro lado, Itamar Franco criou muitas polêmicas, e foi um presidente bastante obtuso e enrolado (para falarmos de uma forma mais simples)...


Pós-redemocratização (de 1994 até nossos dias)

12.º) Michel Temer governa desde 31 de agosto de 2016 (e até nossos dias)



Era o Vice-Presidente da Presidente Dilma Rousseff, desde o seu primeiro mandato (de 2011 a 2014), e que foi acusada de corrupção (durante o seu segundo mandato, iniciado em 2015 e com término previsto para este ano de 2018). Teve seu processo de "impeachment" iniciado e, depois das votações na Câmara dos Deputados e no Senado, acabou tendo o seu "impeachment" decretado, vindo a perder seu cargo, quando entra em cena a figura de seu Vice-Presidente, Michel Temer, que foi acusado por uma grande parcela da população de ter perpetrado uma espécie de "Golpe Branco", já que não fez nada para ajudar a Presidente (mas, muito pelo contrário, fez de tudo ao seu alcance para polemizar o assunto, bipolarizando a população e trazendo-a para o lado dos que apoiavam este "impeachment"), auxiliando e influenciando, assim, na decisão dos deputados e senadores à favor deste "impeachment". Em pouco tempo no poder, já nos mostrou o quão ignóbil pode ser um Vice-Presidente com sede de poder... 


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Espero que tenha conseguido, com este artigo, mostrar a todos vocês como a nossa democracia ainda é extremamente nova e ainda bastante frágil, vindo daí esse desfile de Vice-Presidentes que foram - de formas corretas ou nem tanto assim - assumindo os mandatos de seus respectivos Presidentes, deixando a nossa História assim, tão cheia de reviravoltas como ela ainda o é. Infelizmente!!!